Está aqui

O Estado não conhece o paradeiro de cerca de cem obras de arte suas

Mais de 90 obras de arte contemporânea pertencentes ao Estado estão em paradeiro incerto segundo a Direção Geral do Património Cultural. Muitas desde 1992. A ministra da Cultura diz que desde os anos 2000 foram criadas “comissões e grupos de trabalho para fazer o inventário da coleção do Estado.”
Centro Português de Fotografia‎ na antiga Cadeia da Relação, onde estão parte das obras de arte da coleção estatal SEC.
Centro Português de Fotografia‎ na antiga Cadeia da Relação, onde estão parte das obras de arte da coleção estatal SEC, parte da qual está, contudo, por localizar. Foto de Rodrigo Argenton/wikimediacommons.

Depois da notícia de que o Estado não conhece o património imobiliário que detém, surge a notícia de que conhecendo a arte contemporânea que lhe pertence, desconhece o paradeiro de parte dela. A Direção Geral do Património Cultural tornou público, esta segunda-feira, um relatório no qual contabiliza 94 obras que o Estado não consegue localizar.

A ministra da Cultura, Graça Fonseca, esclarece que a sua tutela “não tem competências de investigação” pelo que a informação será enviada “às instâncias competentes na esfera do Ministério da Justiça.

A própria responsável governamental remete o início da história para “os anos 90” quando a informação de que existiriam obras de arte do Estado sem paradeiro conhecido. Segundo esta, terá sido apenas a partir dos anos 2000 que “foram criadas várias comissões e grupos de trabalho para fazer o inventário da coleção do Estado”.

De acordo com Graça Fonseca, no último relatório, de 2011, tinham sido identificadas 170 obras “por localizar”, acrescentando, segundo a Lusa, que “desde 1992 que estão por localizar 49 obras de arte. Assim, o trabalho da DGPC permitiu esclarecer o paradeiro de 62 delas.

Em causa está a chamada coleção SEC, iniciada pelo Ministério em 1976, a dificuldade de conhecimento da localização das obras é justificada pela criação, fusão e extinção sucessiva de institutos e organismos públicos por onde esta ficou dispersa, isto para além de variados acordos de empréstimo, cedência ou comodato. O Ministério da Cultura assegura, contudo, que 80% da coleção está nos depósitos de apenas quatro instituições: Fundação de Serralves, Centro Cultural de Belém, Câmara Municipal de Aveiro e Centro Português de Fotografia/Direção Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas.

Termos relacionados Cultura
(...)