O Espírito Santo descansa em paz enquanto a economia de Portugal pode ir para o inferno

02 de agosto 2014 - 16:35

As perdas do Espírito Santo neste ano somam mais de 5 mil milhões de dólares o que atemorizou até o Goldman Sachs, um dos bancos que pensava concorrer ao resgate. Os que vão pagar serão os mesmos de sempre: os contribuintes que cumprem com as exigências do Estado. Portugal irá injetar fundos públicos neste banco falido. Por Marco Antonio Moreno.

PARTILHAR

Como adiantámos em exclusivo há várias semanas, a bancarrota do Espírito Santo bateu no fundo, arrastando na sua queda à família mais rica de Portugal. O governo de Passos Coelho não pôde evitar a falência da holding do BES e terminou com uma dinastia bolsista de século e médio, por um custo que deverá ser pago por toda a nação portuguesa. As ações do Espírito Santo desceram ontem mais de 50 por cento clamando pela vontade do governo. E como os governos europeus são sócios do sistema financeiro, correrão ao resgate dos bancos com problemas. No fim de contas, os que pagam serão os mesmos de sempre: os contribuintes que cumprem com as exigências do Estado. Portugal injetará fundos públicos neste banco falido.

As perdas do Espírito Santo neste ano somam mais de 5 mil milhões de dólares o que atemorizou até o Goldman Sachs, um dos bancos que pensava concorrer ao resgate. Mais de cinco bancos “dos grandes” (incluindo o Santander) tinham feito ofertas para resgatar o Espírito Santo da falência. No entanto, hoje ninguém pode resgatar o Espírito Santo, como ocorreu com o Lehmann Brothers há 6 anos, dado que nada se fez para exterminar os grandes cancros do sistema financeiro. Os salvadores serão novamente os contribuintes numa nova escalada da vergonha europeia que se nega a assumir o falhanço do euro como moeda única.

O Goldman Sachs não pôde resgatar o Espírito Santo dado que os demónios eram demasiado grandes. Estes factos confirmam a total incongruência de um sistema: Pode um país falido resgatar um banco falido? O caso de Portugal demonstra que a Europa desliza para uma profunda crise bancária que pode mergulhá-la numa nova recessão. As cartas da holding Espírito Santo têm vindo a cair uma a uma e nenhum dos cinco grandes bancos anunciados tão alegremente por El Economista pode concorrer ao resgate dado que o volume das dívidas e das fraudes em que incorreu a família Espírito Santo (com pai e filho) são inacessíveis para qualquer empresa europeia. Uma lástima para o governo de Rajoy. Precisamente quando a economia espanhola começava "a recuperar e a mostrar números sólidos" vem este deslize do Espírito Santo que pode pulverizar os lucros espanhóis... Não podemos negar que o caso do Espírito Santo pode ter um impacto significativo na economia espanhola e provocar o temido efeito dominó na economia europeia.

Artigo de Marco Antonio Moreno, publicado em El Blog Salmón