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O Ensino Superior à distância “passou a estar dependente dos recursos de cada professor”

Numa entrevista ao jornal Público, a nova presidente do Sindicato Nacional do Ensino Superior critica a “atitude de ausência” do Ministro da Ciência face aos problemas criados pela pandemia.
Passado um ano desde o primeiro confinamento, o Ministério da Ciência deveria ter “um papel mais ativo para dizer que algumas situações que foram adotadas no anterior confinamento não podem ser adotadas agora”.
Passado um ano desde o primeiro confinamento, o Ministério da Ciência deveria ter “um papel mais ativo para dizer que algumas situações que foram adotadas no anterior confinamento não podem ser adotadas agora”. Foto de Eduardo Costa, via Lusa arquivo.

Especialista em Ensino Superior e Formação de Docentes, Mariana Gaio Alves é professora há 20 anos. Passou já pela Universidade Nova de Lisboa e, atualmente, dá aulas no Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.

Recentemente eleita presidente do Sindicato Nacional do Ensino Superior, faz um “balanço positivo” da adaptação do sistema à crise pandémica, mas tal deveu-se “sobretudo ao trabalho dos professores em cooperação uns com os outros”. O Ministro, é “ausente”, diz em entrevista ao jornal Público.

Se o ensino superior “é uma realidade com muitas realidades lá dentro” e, por isso, incompatível com uma direção única na adaptação do ensino aos constrangimentos da crise sanitária, a líder do SNESup considera que “é importante garantir um referencial mínimo comum”.

Da parte do Ministério da Ciência “há algumas recomendações, mas não existe um quadro referencial muito claro”, diz. No entender de Mariana Gaio Alves “deve haver uma intervenção mais próxima da tutela, quer no reconhecimento do trabalho que está a ser feito da parte dos profissionais, quer para estabelecer um quadro de referência claro”, criando “uma espécie de mínimo denominador comum das atividades à distância”.

Se o balanço é “positivo”, tal “deve-se sobretudo ao trabalho dos professores em cooperação uns com os outros”. As instituições que melhor respondem “também são as instituições onde há este trabalho colaborativo e cooperativo entre professores”, diz.

Mas o sindicato tem recebido alertas de “dificuldades de colegas que têm, por exemplo, filhos pequenos em casa”, ou ainda “colegas que sentem dificuldade no acesso à Internet e do material informático. O ensino à distância passou a estar dependente dos recursos que cada professor do ensino superior tem em casa”, alerta.

Considera por isso necessário fazer um levantamento dos estudantes do ensino superior “e do seu acesso à Internet e a material informático, mas o mesmo também tem que ser feito do ponto de vista dos professores para podermos garantir uma resposta mais adequada”.

E denuncia “soluções que são péssimas do ponto de vista de qualidade pedagógica”, dando o exemplo de “aulas teóricas a serem feitas por Zoom com 300 alunos a participar numa sessão”. Isto “é o tipo de coisa que é completamente errada. Não tem qualidade nem beneficia a aprendizagem dos alunos”.

Passado um ano desde o primeiro confinamento, o Ministério da Ciência deveria ter “um papel mais ativo para dizer que algumas situações que foram adotadas no anterior confinamento não podem ser adotadas agora”, critica.

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