Está aqui

O Douro e seus vendilhões

Não interessa aos portuenses e aos gaienses que a exploração especulativa e gananciosa dos seus territórios se prolonguem para as águas do rio que é de todos. Por Luis Vale, Soares da Luz e Lurdes Gomes.
Rio Douro e margens do Porto e Gaia
Foto Duncan Cumming/Flickr

A propósito das notícias que anunciam novos e brutais investimentos nas margens do rio Douro, que servirão em exclusividade os interesses dos agentes económicos do turismo, importa relembrar e reafirmar as nossas dúvidas, as nossas reservas e a nossa oposição em relação à quase completa privatização do leito do Douro, junto à sua foz.

Há um conjunto de questões pertinentes e até urgentes sobre os usos e os abusos que têm sido cometidos nas duas margens do Douro. Aquilo que temos vindo a assistir nos últimos anos, talvez décadas, é o completo abandono do rio, leito e margens, pelas autoridades públicas responsáveis pela sua gestão, salvaguarda e preservação. É a perfeita demissão dos deveres do estado, central e local, perante a ofensiva dos interesses privados que, num autêntico assalto e usurpação, tomaram para si, seu uso e benefício, o acesso ao rio e suas margens, naquilo que são as ribeiras de Gaia e do Porto, assim como de outras localidades a montante. É inadmissível a privatização das margens, é intolerável que um património público possa ser alienado e possa estar em exclusividade ao serviço da atividade turística, protagonizada por meia-dúzia de investidores, empresas e capitais, que se dedicam à espoliação até ao insuportável daquilo que é de todos nós.

Depois, interessa também que a APA , APDL e as autarquias do Porto, de Vila Nova de Gaia e demais da bacia do Douro, de uma vez por todas, assumam as suas responsabilidades de defesa do interesse público.

É uma vergonha a densidade de hotéis flutuantes que atracam, principalmente, na margem esquerda do Douro, ofuscando ou fazendo desaparecer da paisagem cultural, histórica e patrimonial, os barcos Rabelos, assim como tornando impossível outras atividades como a prática desportiva; veja-se o exemplo do Clube Fluvial Portuense que tendo as suas instalações de atividades náuticas na margem de Gaia, vê o acesso ao rio dificultado e estrangulado pelos cais das empresas turísticas e pela densidade de circulação pedonal na marginal.

Qual a necessidade? A quem interessa ou importa essa poluição das águas e da paisagem? Quem paga a factura? Que benefício têm as populações locais?

Enfim, um conjunto de questões que temos e devemos colocar a todos os autarcas da bacia do rio Douro, com especial veemência aos do  Porto e Gaia, pois com toda a certeza, não interessa aos portuenses e aos gaienses que a exploração especulativa e gananciosa dos seus territórios se prolonguem para as águas do rio que é de todos.

O Rio Douro, com esta densa atividade turística, é um rio muito poluído e as entidades oficiais responsáveis, não prestam contas, nem fiscalizam. O que faz a APA - Agência Portuguesa do Ambiente? É suposto zelar pelo interesse público do rio e seus recursos e não ser uma promotora turística.

Impávidos e serenos estão todos perante esta nova aberração que é a construção de um terminal para navios-hotel, naquilo que era o antigo cais do Cavaco. Temos que cuidar do rio, das suas águas, dos seus recursos e da sua paisagem.

Luis Vale  - Porto
Soares da Luz - Porto
Lurdes Gomes – V N Gaia

Termos relacionados Porto, Vila Nova de Gaia, Comunidade
(...)