A ausência de resposta imediata na mobilização de meios militares para acorrer à calamidade provocada pela depressão Kristin foi criticada por populações e autarcas. O nível de ”prontidão imediata” só foi acionado uma semana após a tempestade, mas o ministro da Defesa diz não ter responsabilidade sobre o ocorrido e endossa-a para o general José Nunes da Fonseca, o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (EMGFA) que terminou o seu mandato na semana passada.
A posição de Nuno Melo foi transmitida pelo Ministério da Defesa em resposta às questões colocadas pelo deputado do Bloco de Esquerda. Fabian Figueiredo apontou o facto de a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) ter elevado para o nível máximo o estado de prontidão das suas forças às 16h do dia 27 de janeiro, antecipando a tempestade, enquanto os militares só a 29 de janeiro decretaram o nível de prontidão azul, que prevê resposta em 24 horas. O nível de prontidão imediata só foi ativado no dia 2 de fevereiro, sete dias após o diagnóstico de risco máximo.
Depressão Kristin
Atraso, autopromoção, abandono: como o Governo respondeu à tempestade
“A descoordenação entre as entidades envolvidas - Proteção Civil, Forças Armadas, autarquias e Governo - resultou num atraso evitável na resposta à tempestade Kristin, deixando comunidades inteiras vulneráveis”, afirmou o deputado bloquista, acrescentando que quatro dias após a tempestade, apenas 240 militares estavam empenhados no apoio direto às populações.
Para o ministro da Defesa, “a mobilização de meios militares não resulta de uma transposição automática dos níveis de alerta entre sistemas distintos”, pelo que não é possível “inferir qualquer demora com base nessa comparação”. Quanto à responsabilidade política pelo acionamento dos meios militares, Nuno Melo remete para “as competências próprias do EMGFA e dos comandos militares”, pois embora as Forças Armadas colaborem em funções de proteção civil enquanto agentes desse sistema, “mantêm a sua cadeia própria de comando e atuam mediante um circuito legal de solicitação e autorização, normalmente iniciado pela ANEPC junto do EMGFA e autorizado pelo Chefe do EMGFA”.
O ministro conclui que o apoio das Forças Armadas “correspondeu, no essencial, ao previsto nos instrumentos de planeamento operacionais aplicáveis a cenários de cheias e intempéries”.