Num ano, o Estado português pagou mais de 300 mil euros a empresa de António Borges

27 de março 2013 - 17:05

Entre fevereiro de 2012 e fevereiro de 2013, a empresa estatal Parpública pagou à ABDL L.da, empresa de António Borges, mais de 300 mil euros por serviços de consultadorias nas seguintes áreas: financiamento da economia e setor financeiro, plano de privatizações, renegociação das Parcerias Público Privadas e reestruturação do setor empresarial do Estado.

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Foto Melanie Map's/Lusa

Segundo o contrato firmado, no dia 29 de fevereiro de 2012, entre a Parpública e a empresa ABDL Lda, uma sociedade por quotas entre António Mendo Castel-Branco Borges, detentor de uma quota de 15 012,02 euros, e Diogo José Fernandes Homem de Lucena, com uma quota de 4987,98 euros, a que o jornal i teve acesso, a empresa de capitais exclusivamente públicos paga à sociedade de António Borges uma verba mensal de 25 mil euros mais IVA. A este valor acresce ainda o reembolso de despesas “indispensáveis para a concretização do trabalho e previamente autorizadas, designadamente no caso de viagens ao estrangeiro, as quais deverão ser documentadas e respeitar as normas aplicáveis ao sector público”.

Entre fevereiro de 2012 e fevereiro de 2013, a verba paga pela Parpública ascendeu a 300 mil euros, à qual acresceu ainda o IVA correspondente e o montante respeitante às despesas reembolsadas.

Além dos 300 mil euros pagos pelo Estado à sua empresa, António Borges, que defende que "diminuir salários não é uma política, é uma urgência" para o país e que considera que o corte de 4 mil milhões no Estado Social é meramente uma "questão acessória", recebeu 50 mil euros no ano passado pelo seu cargo de administrador não executivo do grupo Jerónimo Martins.

O ex vice-presidente do PSD e vice-governador do Banco de Portugal, que também foi vice-presidente do conselho de administração da Goldman Sachs e liderou os Hedge Funds Standards Board, e que, em 2010, foi nomeado diretor do departamento europeu do Fundo Monetário Internacional (FMI), de onde saiu no final de 2011, viu o seu contrato com Parpública ser renovado por mais um ano, pelo que é expectável que participe nos processos de privatização da TAP, CTT, CP Carga e da empresa EGF do grupo Águas de Portugal, todos eles agendados pelo governo para o presente ano.