Novo parque de estacionamento "agrava risco de cheias rápidas" em Algés

06 de junho 2023 - 15:32

Seis meses após as fortes cheias na baixa de Algés, a Câmara de Oeiras construiu um parque de estacionamento que vem intensificar a impermeabilização do solo, denuncia a vereadora Carla Castelo.

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Novo parque de estacionamento em Algés. Foto ParquesTejo.

A impermeabilização dos solos provocada pelo excesso de construção é apontada como uma das causas principais para que o centro de Algés fique inundado quando há fortes chuvadas como as que se fizeram sentir no final do ano passado. Mas isso não impede a autarquia liderada por Isaltino de Morais de continuar a anunciar novas obras que agravam o problema. Desta vez é um parque de estacionamento no último terreno baldio junto ao troço final da CRIL, a poucos metros do mercado.

Segundo o jornal Público, a autarquia anuncia-o como adotando as "melhores práticas ambientais", com o pavimento em betão drenante que "facilita a absorção de águas pluviais". Mas não respondeu ao jornal acerca da existência dos estudos de impacto ambiental que apoiariam aquela construção numa zona vulnerável a cheias.

Para a vereadora independente Carla Castelo, eleita pela coligação Evoluir Oeiras, a obra “é mais um exemplo de mau planeamento e má despesa pública, que, ainda por cima, vem agravar o risco de cheias rápidas em caso de chuva intensa e concentrada no tempo”. E com a inclinação do parque de estacionamento, irá também “aumentar a velocidade das águas”, prevê a vereadora em declarações ao Público.

O anunciado pavimento "drenante" também não convence a vereadora, pois considera que "na prática, funcionará como um piso impermeável em casos de grandes chuvadas". Por outro lado, "os taludes com terra solta também não auguram nada de bom e, em termos paisagísticos, aquele parque é um desastre”, aponta Carla Castelo.

Além do risco ambiental que pressupõe a impermeabilização total dos solos naquela zona sensível, a vereadora não poupa críticas à política de mobilidade de Isaltino, resumindo-a à "construção de mais estacionamento e mais estradas, induzindo cada vez mais procura, em vez de promover a mobilidade suave e a oferta de transportes públicos”. E o local onde a autarquia pretende inaugurar o parque de estacionamento é o melhor exemplo disso: "o que temos é um local descaracterizado, em que se sucedem parques de estacionamento, sem sombras, num contínuo de asfalto e de carros", conclui.