A nossa luta é todo o dia, os animais não são mercadoria

14 de junho 2022 - 20:02

Ativistas marcharam esta terça-feira em Lisboa contra o transporte de animais vivos. Pedro Filipe Soares exigiu uma posição do Governo português, à semelhança do que já fizeram outros países europeus.

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Marcha contra o Transporte de Animais Vivos. Foto: Esquerda.net

Entoando palavras de ordem como "Exportação não, abolição" ou "A nossa luta é todo o dia, os animais não são mercadoria", cerca de uma centena de pessoas participou na marcha contra o transporte de animais vivos entre o Largo Camões e o Cais do Sodré, em Lisboa.

Isabel Carmo, da PATAV - Plataforma Anti-Transporte de Animais Vivos -, - disse ao Esquerda.net que o objetivo da marcha passa por "relembrar o dia de consciencialização contra o transporte de animais vivos". Foi neste dia em 2015 que um navio aportou na Somália com 13 mil cadáveres de ovinos que não resistiram à desidratação, fome e exaustão, após o navio que os transportava desde a Roménia ter sido impedido de aportar no país de destino, na Jordânia.

A PATAV tem lutado pela proibição do transporte de animais vivos e denunciado a violência a que são sujeitos nos portos de embarque em Portugal, de onde saem sobretudo com destino a Israel e outros países do Médio Oriente.

Isabel Carmo, da PATAV: "Comissão Europeia deve seguir recomendações da comissão de inquérito do Parlamento Europeu"

"Em 2019 a PATAV apresentou uma petição na Assembleia da República, que teve o apoio do Bloco de Esquerda, PAN e Verdes. Infelizmente foi chumbada a nossa reivindicação de proibição de transporte de animais vivis e que em alternativa fossem adotadas outras medidas", afirmou Isabel Carmo.

"Esperamos que na reunião do Conselho Europeu no próximo mês consigam exortar a Comissão Europeia com base nas recomendações da comissão de inquérito promovida pelo Parlamento Europeu. Infelizmente não inclui a abolição do transporte de animais vivos como nós pretendíamos. Mas inclui questões como a existência de um veterinário a bordo ou a proibição de embarque de animais até aos 35 dias de vida", prosseguiu a ativista, recordando que "outra recomendação que acabou por não ser aprovada foi a proibição de exportação para países com legislação tão garantística como a da UE".

Quanto à questão das temperaturas no transporte dos animais, Isabel Carmo diz que "atualmente a legislação permite as viagens dos animais com temperatura entre os 5°C e os 35°", mas com as recomendações da comissão aprovadas pelo Parlamento Europeu baixaram para os 30°C. "Nós continuamos a achar que esta temperatura é demasiado elevada para transportar milhares de animais em navios e propomos que baixe para os 25°C", concluiu.

Pedro Filipe Soares: "É necessário que Portugal esteja na linha da frente na defesa destes direitos"

Também presente nesta marcha, o líder parlamentar do Bloco, Pedro Filipe Soares, reafirmou o apoio do partido a esta causa, justificando-o "porque sabemos que esta é uma prática cruel e que expõe os animais a uma brutalidade enorme". "E já o testemunhámos diretamente, por exemplo no porto de Setúbal em que dirigentes do Bloco foram levados pela polícia e esses interesses económicos brutais com os animais foram protegidos", prosseguiu.

Pedro Filipe Soares defende que "o Estado português podia fazer mais" e que outros países, como a Alemanha e os Países Baixos, "assinaram uma carta contra o transporte de animais vivos e Portugal não o fez. É necessário que Portugal esteja na linha da frente na defesa destes direitos, é preciso que o Governo português tome uma posição contra o transporte de animais vivos e é por isso que o Bloco está aqui", sublinhou.

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