Nogueira Leite vai para administrador da EDP Renováveis

27 de fevereiro 2013 - 16:14

O ex-conselheiro do PSD que Passos Coelho colocou na Caixa Geral de Depósitos mal tomou posse, tinha ameaçado abandonar o país se a carga fiscal aumentasse. Esta quarta-feira, Nogueira Leite já pode dizer que cumpriu a promessa, ao ser nomeado administrador de uma empresa que agora pertence ao Estado chinês e tem sede em Madrid.

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Do grupo Mello para a EDP Renováveis, passando pela Caixa: este é percurso de Nogueira Leite após coordenar as promessas eleitorais de Passos Coelho. Foto PSD.

A EDP Renováveis, agora detida maioritariamente por uma empresa do Estado chinês e com sede em Espanha, anunciou em comunicado ter nomeado Nogueira Leite para um dos lugares de administrador que se encontrava vago desde as renúncias apresentadas no ano passado, antes da empresa mudar de mãos. Nogueira Leite irá também pertencer à Comissão de Nomeações e Retribuições da empresa.

António Nogueira Leite coordenou o programa eleitoral de Passos Coelho nas últimas eleições e mal foi eleito, o primeiro-ministro presenteou-o com um cargo de administrador na Caixa Geral de Depósitos. A passagem de Nogueira Leite pela Caixa foi turbulenta desde o primeiro dia, quando se queixou no Facebook que estava a ser apresentado como administrador da CGD quando tinha sido convidado para vice-presidente executivo do banco público. "Ainda não pus os pés na CGD e já começaram as guerrinhas", dizia o conselheiro de Passos Coelho, que acabou por se demitir no fim de 2012.

Já em setembro do ano passado, o Facebook voltou a ser o meio usado para Nogueira Leite desabafar a sua desilusão com mais uma vaga de medidas de austeridade do Governo de Passos Coelho, totalmente ausentes do programa eleitoral que coordenou no ano anterior. “Se em 2013 me obrigarem a trabalhar mais de 7 meses só para o Estado, palavra de honra que me piro, uma vez que imagino que quando chegar a altura de me reformar já nada haverá para distribuir, sendo que preciso de me acautelar”, dizia o então administrador da CGD e ex-quadro do grupo Mello. A indignação que estas palavras provocaram obrigou-o até a apagar a página naquela rede social, uma decisão que reconsiderou pouco depois.

Cinco meses depois, Nogueira Leite pode agora vir dizer que cumpriu a sua promessa, já que passa a receber salário e regalias de uma empresa detida pelo Estado chinês e comandada a partir de Madrid. A sua entrada no Conselho de Administração acontece na altura em que a EDP Renováveis, presidida por João Manso Neto, anunciou lucros de 126 milhões de euros em 2012, mais de 43% que no ano anterior. Pela primeira vez a empresa irá distribuir dividendos de 4 cêntimos por ação, num total de 35 milhões. Graças à privatização do setor energético, o Estado português não verá um tostão dos lucros da empresa que apostou no ano passado na construção de parques eólicos e solares nos EUA, Itália, Espanha, França, Roménia e Portugal.