Foi a primeira vez em 70 anos que um anúncio de um Nobel foi adiado. A crise foi despoletada quando Jean-Claude Arnault, fotógrafo e marido de Katarina Frostenson, membro da Academia, foi acusado de violação e assédio em pleno movimento #Metoo. Entretanto, foi condenado a dois anos e meio de prisão.
Frostenson fazia parte do conselho que decidia a atribuição do Nobel da Literatura, tendo sido obrigada a demitir-se em abril de 2018.
Com a substituição dos vários académicos que se demitiram, a Academia tem tentado melhorar a sua imagem. “O Conselho de Diretores da Fundação Nobel acredita que decisões tomadas pela Academia Sueca – e a sua disposição em agir – oferecem a possibilidade de restaurar a confiança na Academia como a instituição que concede o prémio”, pode ler-se numa declaração da Fundação Nobel.
De acordo com os estatutos, a escolha de um distinguido com o Nobel exige a presença de pelo menos 12 dos 18 membros do Comité de Sábios. Até outubro de 2018, havia apenas 10 membros ativos. Horace Engdahl, que apoiou Arnault, anunciou a sua renúncia ao Comité Nobel. A Academia afirmou que esta renúncia servia para “não comprometer o futuro do prémio, e não complicar a cooperação entre a Academia Sueca e a Fundação Nobel”.