Segundo a presidente do Comité Nobel norueguês, Berit Reiss-Andersen, o prémio foi atribuído à coligação internacional de mais de 300 Organizações Não Governamentais (ONG's) Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (ICAN) “pelo seu trabalho para chamar à atenção para as consequências humanitárias catastróficas da utilização de armas nucleares e pelos seus esforços pioneiros para alcançar um tratado de proibição destas armas".
"Vivemos num mundo onde o risco de as armas nucleares serem utilizadas é mais elevado do que nunca. Alguns países modernizaram os respetivos arsenais nucleares e o perigo de mais países procurarem tê-los é real, como é o caso da Coreia do Norte", frisou Berit Reiss-Andersen.
Neste contexto, a presidente do Comité Nobel norueguês apelou às potências nucleares para que encetem "negociações sérias" para eliminar todas as armas atómicas: "O Prémio da Paz deste ano é também um apelo para que estes Estados iniciem negociações sérias destinadas à eliminação gradual, equilibrada e cuidadosamente supervisionada das quase 15.000 armas nucleares que existem no mundo", assinalou.
Prémio Nobel é também "um tributo aos sobreviventes dos ataques nucleares”
A ICAN afirmou ser “uma grande honra ter recebido o Prémio Nobel da Paz 2017”, como reconhecimento do seu papel “na criação de um tratado que proíbe a utilização de armas nucleares”.
A campanha internacional anti-nuclear frisou que “este acordo histórico, adoptado a sete de julho com o apoio de 122 nações, oferece uma poderosa e necessária alternativa para o nosso mundo em que as ameaças de destruição maciça prevalecem".
A ICAN assinalou ainda que o prémio é também “um tributo aos sobreviventes dos ataques nucleares a Hiroshima e Nagasaki e outras vítimas de explosões atómicas em outras partes do mundo”.
"Agradecemos humildemente ao Comité Nobel norueguês. Este prémio traz luz a um caminho que o tratado pretende percorrer até alcançar um mundo livre de armas nucleares. Antes que seja tarde, temos de reconhecer esse trilho", concluiu.
A ICAN sucede ao Presidente colombiano, Juan Manuel Santos, premiado com o Nobel da Paz em 2017 pelos seus esforços na restauração da paz na Colômbia.
A entrega do prémio tem lugar a 10 de dezembro em Oslo.
EUA poderá romper acordo nuclear com Irão
A par da escalada nuclear entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, Donald Trump prevê anunciar na próxima semana que o acordo sobre o nuclear assinado com o Irão não está a ser cumprido e não é do interesse nacional.
A informação, avançada pelo jornal Washington Post, não foi desmentida pelo presidente dos EUA, que afirmou esta quinta-feira que “vão ouvir falar sobre o Irão muito em breve”.
“O regime iraniano apoia o terrorismo e exporta violência, derramamento de sangue e caos pelo Médio Oriente. É por isto que devemos acabar com a agressão continuada do Irão e com as suas ambições nucleares”, afirmou Trump, citado pela Reuters.
O presidente norte americano acusou ainda o regime iraniano de “não viver segundo o espírito do acordo”.
A ideia de que o Irão não está a cumprir o acordo nuclear foi desmentida em setembro pelo director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), que confirmou que o Irão está a cumprir as cláusulas da missiva que assinou em 2015 com seis potências mundiais.