Entre 19 e 21 de abril, o No Pasaran inclui música, festa, conferências e uma visita ao Museu do Aljube. O programa completo pode ser consultado aqui.
Em entrevista ao Esquerda.net, Luís Fazenda explica-nos os objetivos da iniciativa, co-organizada pela Esquerda Europeia, pela rede Transform e pelo Bloco de Esquerda. E explica que, à esquerda, já se passou da fase de “assinalar vagamente um populismo conservador” para compreender que “se trata de um movimento internacional, de características neofascistas, que utilizam os instrumentos da democracia para o assalto progressivo ao poder e para o esvaziamento das garantias constitucionais do pós-guerra”.
Quais são os objetivos do No Pasaran?
As Conferências No Pasaran, e esta é a terceira, têm por fim detalhar os conteúdos das agendas de extrema-direita, os seus processos políticos institucionais ou violentos e inventariar os espaços da sua progressão política. Discutem-se argumentários antifascistas, como apelamos a trincheiras na defesa de muitos direitos individuais e sociais, e como podemos criar alternativas políticas mais amplas para derrotar o neofascismo. Esta Conferência resulta da colaboração da Esquerda Europeia, da rede Transform e do Bloco de Esquerda.
O que pode esperar quem vier a este evento?
Quem participar nesta Conferência partilha da preocupação democrática que nos une mas pode inteirar-se com mais rigor das análises às várias forças de extrema-direita que se atravessam na Europa e não apenas na União Europeia. Pode partilhar da vontade e da combatividade de tantas pessoas que vêm de muitos países para nos trazer as suas mensagens de luta.
Em que ponto está o debate sobre o combate às extrema-direitas na esquerda europeia?
Não há hoje grande dúvida que já passamos a fase de assinalar vagamente um populismo conservador, mais estruturado ou mais acidental. Hoje as esquerdas, não tanto os partidos do centro, têm clareza meridiana de que se trata de um movimento internacional, de características neofascistas, que utilizam os instrumentos da democracia para o assalto progressivo ao poder e para o esvaziamento das garantias constitucionais do pós-guerra. É mais uma proteção às oligarquias e elites financeiras para impedir a transição social e ecológica, manipulando vastas massas. E acrescentando fatores de provocação militar.