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Neozelandeses aprovam morte assistida e dividem-se sobre canábis legal

Os resultados preliminares dos referendos foram conhecidos esta sexta-feira. A lei que o Parlamento aprovou sobre a morte assistida teve o apoio de dois terços dos eleitores, enquanto a legalização da canábis deve ser derrotada por curta margem.
Referendo na Nova Zelândia
A contagem dos votos "especiais", antecipados ou de fora do território, será anunciada a 6 de novembro. Foto da Comissão Nacional Eleitoral.

Para além de escolherem um novo parlamento e darem uma maioria reforçada à primeira-ministra Jacinda Ardern, o eleitorado da Nova Zelândia também votou a 17 de outubro em dois referendos. A contagem desses votos só foi conhecida esta sexta-feira, embora se trate de uma contagem preliminar que ainda não tem em conta os cerca de meio milhão de votos antecipados ou enviados fora do território. A contagem final será conhecida só a 6 de novembro.

Esses votos não serão suficientes para contrariar a maioria expressiva de 65.2% que votou favoravelmente para que a Nova Zelândia se torne o sétimo país a permitir a morte assistida. A proposta de lei já foi discutida no parlamento e entrará em vigor no fim de 2021, após este referendo vinculativo. A lei permitirá a doentes terminais com menos de seis meses de expetativa de vida requererem a morte assistida, com a aprovação de dois médicos.

No caso da legalização da canábis, aconteceu o que as sondagens previam: um país dividido ao meio. Neste caso o Governo tinha apresentado uma proposta de lei que seria discutida apenas em caso de aprovação neste referendo, que não é vinculativo. O resultado preliminar aponta para uma vitória do Não por 53.1%, com menos de 170 mil votos de diferença para o Sim.

Com os cerca de meio milhão de votos ainda por contar, seria preciso que pelo menos 67% fossem favoráveis à legalização para inverter o resultado dos votos já contados. Estas são as contas da porta-voz dos Verdes neozelandeses, que ainda não deu a proposta por chumbada, ao contrário de outros participantes na campanha pelo Sim, que se queixam da desinformação propagada pelos adeptos da continuação do proibicionismo.

Durante a campanha, a primeira-ministra Jacinda Ardern nunca revelou qual seria o seu sentido de voto no referendo à canábis legal, admitindo apenas ter consumido a planta quando era mais jovem e que cumpriria a vontade expressa nas urnas. Só após a divulgação dos resultados preliminares, Jacinda admitiu que votou Sim nos dois referendos. Para os apoiantes da medida, o silêncio da líder do Governo durante a campanha terá também contribuído para este resultado.

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