Nasceu uma nova rede de esquerda na Europa Central e de Leste

23 de janeiro 2024 - 14:27

Grupos da República Checa, Roménia, Polónia, Hungria e Ucrânia juntaram-se num projeto político que rejeita que a região seja transformada num “campo de testes capitalista”.

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Foto da Central-Eastern European Green Left Alliance/Twitter.
Foto da Central-Eastern European Green Left Alliance/Twitter.

No passado dia 12 de janeiro, na Polónia, partidos e grupos políticos de vários países anunciaram a criação de uma rede chamada Aliança Vermelha Verde da Europa Central e de Leste. A nova organização junta o Budoucnost da República Checa, o Demos da Roménia, o Razem da Polónia, o Szikra Mozgalom da Hungria e o Movimento Social da Ucrânia.

Zofia Malisz, dirigente do Razem, justifica a existência do novo projeto porque considera preciso “fortalecer a voz de uma esquerda jovem, verde do Mar Báltico aos Balcãs”.

A página do CEEGLA acrescenta que as forças políticas que se envolvem nesta aliança acreditam que as raízes das crises económica, social e climática estão na lógica do sistema capitalista. E “contrariamente àqueles que os consideram dispendiosos e imerecidos, valorizamos os serviços públicos – saúde, educação e proteção social – como a chave para uma sociedade baseada na igualdade, na solidariedade e na dignidade”. Assim, rejeitam que a região seja transformada num “campo de testes capitalista para a semiperiferia da Europa e da ordem mundial”.

Dizem ser “uma nova geração que experimentou a desilusão após o colapso do Bloco de Leste e a subsequente transição capitalista” mas garantem que não se alimentam de “nostalgia dos regimes anteriores” nem de “ilusões sobre a natureza do projeto neoliberal falhado que está a ser implementado na nossa região”. Querem assim “avançar, não retroceder” na construção “de uma Europa democrática, social e sustentável” já que “a atual ordem global deve ser descartada” porque “pertence ao passado”.

Victoria Pigul, dirigente do Movimento Social da Ucrânia, revela que uma das principais prioridades do CEEGLA é a oposição à invasão russa do seu país. Para ela, é a unidade dos povos destes países que se pode contrapor a Putin, o que passa por resolver à escala regional fraquezas como a crise climática e da habitação, a deterioração do custo de vida e o crescimento da extrema-direita”.

Da sua declaração de princípios consta ainda a rejeição do “aumento da brutalidade estatal, da vigilância e de regimes fronteiriços desumano”, dos “líderes autoritários, que distorcem as regras a seu favor, esmagam a oposição e a dissidência” e da “utilização da “nação” e da “fé” como armas contra as minorias e os direitos fundamentais” em nome da solidariedade, igualdade e esperança.

É vincada ainda a necessidade de “impulsionar planos climáticos ambiciosos e corajosos”. E sobre isto adianta-se: “tendo testemunhado e vivido três décadas de transformação capitalista brutal, dizemos que os nossos direitos, a dignidade, as comunidades, o planeta e o futuro são mais importantes do que o lucro e o enriquecimento de uma pequena elite global”.