“Não se invocam valores da ditadura quando se quer defender a democracia”

20 de maio 2016 - 22:29

Personalidades da cultura e da política portuguesa estiverem hoje com ator brasileiro, Gregório Duvivier, no Teatro Tivoli, em Lisboa, para manifestar o seu repúdio em relação à atual situação política no Brasil e, desta forma, reiterar a sua solidariedade com o povo brasileiro, a democracia e a liberdade.

PARTILHAR
O ator Gregório Duvivier foi um dos promotores da iniciativa pela democracia no Brasil.

Na sessão, Gregório Duvivier disse que as pessoas que ali se reuniram vieram demonstrar “o seu apoio contra os duros golpes que estão ocorrendo no seu país”

“Não é só um golpe na democracia é um golpe também na cultura, no sistema único de saúde, na educação pública”, afirmou o ator, tendo acrescentado que “está em causa tudo o que nos últimos anos o Brasil construiu em termos de democracia e inclusão social”.

Duvivier referiu ainda que as pessoas estão “indignadas” com o que se está a passar num leque que abrange não só a intelectualidade mas a população em geral.

Por seu turno, a deputada do Bloco, Joana Mortágua afirmou que “num país democrático a lei é o garante da democracia e não uma forma de contornar a democracia”.

“Não se invocam valores da ditadura quando se quer defender a democracia e por isso nunca se poderia ouvir o que se ouviu na Câmara dos Deputados homenageando torturadores”, sublinhou.

Joana Mortágua finalizou a sua intervenção afirmando a ideia de que “nenhum povo se pode sentar à sombra dos seus direitos democráticos, assistindo a um golpe noutro país.”

Para além dos presentes que quase encheram o Tivoli, a sessão pública foi vista no Brasil com transmissão na internet assegurada pelo coletivo Mídia Ninja. Também presente na sessão, Sérgio Godinho cantou à capela a sua música que lembra que “a democracia é o pior de todos os sistemas com excepção de todos os outros”.