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“Não precisamos que a TAP venha a ser o próximo Novo Banco”

Catarina Martins frisou que a proposta da TAP não serve os interesses do país e que é inaceitável “pagarmos todos para depois servirmos o interesse de curto prazo dos acionistas privados”. Projeto do Bloco para a nacionalização da empresa é discutido a 26 de junho.
Avião da TAP.
Avião da TAP. Foto de Jonathan Palombo/Flickr

De acordo com a coordenadora bloquista, o plano apresentado pela TAP para retomar os voos não tem cabimento como um todo, “até porque planeia abrir rotas achando que é a empresa que decide quais as fronteiras que abrem, e não o Estado português”. E não tem nenhum sentido em relação ao Porto, já que “desvaloriza por completa a ligação ao aeroporto do Porto e põe-na nas mãos das low cost”.

“Não tem sentido estratégico nenhum para o país, para as comunidades emigrantes espalhadas pelo mundo e nem para as necessidades da economia do país”, acrescentou Catarina, em declarações ao Porto Canal.

Sublinhando que não é a primeira vez que a TAP apresenta propostas que contrariam o interesse público, a deputada defendeu que a proposta “é reveladora do que o Estado Português tem de fazer, que é a nacionalização da TAP”.

“A empresa vai precisar de muito apoio público e esse apoio só deve ser assegurado mediante determinadas condições, que só serão garantidas se o Estado estiver presente na administração da TAP”, prosseguiu Catarina, vincando que “essa é a decisão que tarda e que deve ser tomada”.

Reconhecendo que “Portugal não pode ficar sem uma companhia aérea bandeira”, a dirigente do Bloco avançou que “não precisamos que a TAP venha a ser o próximo Novo Banco”, com a distribuição de bónus num altura em que a companhia teve prejuízos e com o Estado a pagar o prejuízo e a não ter nenhuma palavra na administração.

Catarina Martins referiu-se ainda às posições ambíguas do governo, destacando que, se o próprio primeiro-ministro afirmou que é inaceitável que a TAP avance com o programa, a nacionalização é a única consequência lógica deste processo.

“Estarmos a pagar todos para depois servirmos o interesse de curto prazo dos acionistas privados é ter o pior dos dois mundos, e isso é que não pode acontecer”, apontou a coordenadora bloquista, assinalando que “quem está muito chocado” com a situação deve votar a favor do projeto do Bloco, que garante um escrutínio democrático para servir todo o país.

Na Conferência de Líderes desta quarta-feira, o Bloco conseguiu agendar a discussão do seu projeto sobre a nacionalização da TAP para 26 de junho.

Além desta medida, e conforme esclareceu o líder parlamentar do Bloco, Pedro Filipe Soares, após a reunião, os bloquistas viram ainda agendada a apreciação parlamentar “para corrigir uma omissão que considera grave nas iniciativas do Governo” e que vai ser discutida já no dia 4 de junho. Em causa está a exclusão dos doentes com diabetes do diploma que permite que sejam considerados doentes de risco em tempo de pandemia.

Para dia 9 de junho ficou ainda agendada a iniciativa do Bloco que prevê um subsídio para trabalhadores informais, ou seja, aqueles que, de alguma forma, estão excluídos do subsídio de desemprego e subsídio social de desemprego e que ficam para trás neste contexto.

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