Catarina Martins interveio no encerramento da V Convenção Regional do Bloco de Esquerda Açores em Ponta Delgada. Catarina afirmou que o Bloco vai fazer a diferença nas eleições legislativas regionais dos Açores de outubro e que, antes que o Tratado Orçamental se torne num tratado europeu, deve ser alvo de um referendo em Portugal.
Perante o cenário da eventual imposição de sanções em Portugal por parte da Comissão Europeia, Catarina Martins reconhece que a proposta de um referendo ao Tratado Orçamental "é difícil, há muita gente que fica com medo, mas o que Portugal tem de fazer é trabalhar para enterrar o tratado das sanções, o Tratado Orçamental, se não queremos sanções, se elas são injustas e inaceitáveis, temos de enterrar o mecanismo que as aplica".
Catarina, manifestou-se favorável à proposta da realização de uma cimeira intergovernamental para suspender o Tratado Orçamental, mas tem pouca confiança que tal venha a acontecer. "O ideal era que num Conselho Europeu ou numa conferência intergovernamental se enterrasse de vez o Tratado Orçamental, mas se isso não acontecer e se houver sanções e se a nível europeu não for possível enterrar o tratado das sanções, quem vive neste país tem de ser chamado a pronunciar-se, para não deixar que o Tratado Orçamental seja o tratado das sanções para sempre".
"Lutar pela dignidade nunca é ficar isolados. Os Estados que se defendem, uma Europa que respeita dos os cidadãos e cidadãs de todos os países e Estados, é uma Europa que faz cooperação", prosseguiu Catarina.
"A especulação que se faz hoje é se o nosso país deve ser sancionado tendo cortes nos fundos europeus para o investimento. Aquilo que está a ser sancionado é a política de 2013 a 2015. Aquilo que nos dizem é que os números do nosso país de 2013 a 2015 não cumprem os tratados europeus e, por isso, o nosso país deve ser penalizado ficando sem capacidade de investir e, mais do que isso, aceitando a humilhação que alguém nos diga que o nosso país deve ser sancionado pelas exatas políticas impostas pelos mesmos que nos querem sancionar agora, nos anos do governo do PSD/CDS" continuou Catarina Martins.
"As suas políticas já foram sancionadas no dia 4 de outubro, quando houve uma maioria que contra o seu governo, quem sancionou as políticas da direita, quem sancionou as políticas da Comissão Europeia foi quem decidiu mudar o governo, mudar o parlamento para que houvesse uma diferença", disse a coordenadora do Bloco.
Fazer a diferença nos Açores
Para terminar, Catarina falou sobre a situação nos Açores e as próximas eleições regionais de outubro.
"Temos a noção exata que o país e os Açores vivem uma situação dificílima. O caminho que aqui tem uma nova etapa tão importante para as eleições regionais que se aproximam, é um caminho sério e difícil para defender os Açores e os açorianos e açorianas. Para que seja possível, no nosso país, fazer aquilo que sabemos que tem de ser feito, ter uma economia que responda pelo emprego, um Estado que responda pela justiça social e pela dignidade de cada um e de cada uma de nós", afirmou Catarina.
"Tantas as vezes ouço, de açorianas e açorianos, em São Miguel e noutras ilhas, dizer "isto precisava de levar uma volta", então vamos a isso, é o tempo de mudar, vamos fazer a diferença e vamos fazê-la juntos",concluiu a dirigente bloquista.