À margem da concentração onde esta quarta-feira os trabalhadores dos bares dos comboios defendiam os seus empregos, Catarina Martins prestou declarações aos jornalistas sobre dois temas que estão na ordem mediática do dia: a insuficiência dos apoios governamentais face à inflação e as notícias sobre a indemnização milionária paga pela TAP à ex-secretária de Estado do Tesouro.
A propósito do primeiro tema, a coordenadora do Bloco realça que "não há nenhuma novidade na insuficiência dos apoios que o Governo anunciou". Estes "já eram insuficientes face à inflação" quando foram anunciados.
A questão de fundo é que "o Governo reage à inflação e à perda de poder de compra da população com apoios pontuais, em vez de ter uma medida estrutural de equilíbrio da economia que é fundamental, de controlo de preços, de fixação de margens de lucro e sobretudo de atualização de salários e pensões". Até porque a ideia de que a inflação é provocada por salários e pensões "já se percebeu que não é": estes "estão sempre a perder, a inflação está sempre a subir".
Para além da ausência de medidas estruturais, a dirigente partidária considera o discurso do governo "absolutamente insustentável". Isto já que o primeiro-ministro se vai manifestando "contente com o crescimento da economia" enquanto as pessoas "estão aflitas para pagar a conta do supermercado, para pagar a casa". Isto revela um "absoluto descaso entre o Governo e a realidade do país que é cada vez maior e que é grave porque objetivamente temos uma grande parte da população já com enormes dificuldades num país em que na verdade a economia está a crescer. O problema é que há muito poucos a enriqueceram para o empobrecimento de quase todos", observa.
Para este cenário também contribuem as declarações de um ministro das Finanças que se gaba de dizer "eu tenho umas contas públicas extraordinárias". E é precisamente para ele que Catarina Martins aponta baterias no mais recente caso sobre a TAP. Para além de afirmar que há "muita pressa" que o relatório já várias vezes noticiado "seja público para podermos saber quais são os detalhes da auditoria", regista também "uma grande perplexidade: é que até agora o ministro das Finanças foi incapaz de dizer o que pensa sobre este caso". O governante deveria "ter uma opinião sobre a administradora ter saído com meio milhão de euros de prémio para depois ir para outra empresa pública" e que "depois vai para secretária de Estado". E também não disse até agora "o que é que sabia desta situação".
Esta situação, avalia Catarina, é "insustentável". Aliás, a dirigente bloquista diz que a cada dia que passa a própria posição do ministro da Finanças fica mais difícil porque "há um país em que as pessoas estão verdadeiramente aflitas sequer para por comida em cima da mesa e o ministro não sabia, não quer saber sobre privilégios milionários numa empresa que é pública e que é paga com o dinheiro de todos".
Toda a situação, julga, "é chocante: é chocante que haja uma administração que enquanto corta salários aos trabalhadores pode dar-se a si prémios milionários, até quando sai por não estar a fazer bem as suas funções" mas que a ex-secretária de Estado "pudesse voltar à empresa com salários milionários ainda mais chocante seria", respondeu a uma pergunta de uma jornalista.