A empresa Apeadeiro2020, Ld.ª não pagou aos trabalhadores dos bares dos comboios da CP o seu salário de fevereiro e não está a pagar aos fornecedores. A situação levou os trabalhadores à greve esta quarta-feira e uma concentração à porta do Ministério das Infraestruturas pela manhã. Face à situação da concessionária que diz que vai apresentar em tribunal um Plano Especial de Revitalização, os trabalhadores pretendem que sejam defendidos os seus postos de trabalho e garantido o serviço de refeições a bordo dos comboios.
Catarina Martins esteve presente no protesto, demonstrando solidariedade com estes trabalhadores que têm "vidas muito difíceis com os horários, as deslocações, todos percebemos a dureza deste trabalho e que pura e simplesmente estão a trabalhar sem salário, sem seguro, sem direitos básicos garantidos porque a empresa concessionária do serviço de restauração dentro dos comboios da CP não é capaz de cumprir as suas obrigações".
Para ela, "a CP e o Governo não podem fazer de conta que não têm nada a ver com os trabalhadores" e "não é aceitável" que "achem normal que dentro dos comboios estejam a trabalhar todos os dias trabalhadores sem direito a salário ou sem direito a seguro de acidentes de trabalho."
A coordenadora do Bloco lembra que o partido "já questionou o Governo algumas vezes sobre isto" porque "não é um problema novo" e só "se tem vindo a agravar".
Na última questão ao Governo sobre isto, entregue na terça-feira, o Grupo Parlamentar do Bloco salienta que estes trabalhadores "encontram-se, novamente, numa situação de grande incerteza" e pretende-se saber "como pensa o Governo atuar de maneira a ultrapassar de imediato a grave situação no serviço de restauração dos comboios da CP", "que medidas pensa o Governo tomar por forma a garantir o pagamento pontual dos salários e todos os direitos dos 130 trabalhadores da restauração dos comboios da CP" e se perante "o grosseiro incumprimento das obrigações patronais da Apeadeiro 2020, a que se junta a perspetiva de rápida degradação e inviabilização do serviço, admite o Governo atuar para que a CP afaste de imediato a atual concessionária e realize os procedimentos urgentes para assegurar a normalização do serviço de restauração nos comboios".