“Não é admissível que a troika se instale em Portugal no dia das eleições”, afirma Semedo

04 de maio 2014 - 14:22

O coordenador do Bloco critica a conferência organizada pelo BCE para o dia 25 de maio e acusa: “É uma tentativa clara de condicionar e influenciar o voto dos portugueses”. João Semedo exige ao Presidente da República que cancele ou adie a conferência.

PARTILHAR
João Semedo sublinha ainda que o Bloco vai recorrer “a todos os instrumentos ao nosso dispor para impedir” a realização da conferência no dia das eleições - Foto de Paulete Matos

“No dia em que a política da troika vai a votos, ela instala-se em Portugal. Não aceitamos que interfira nas eleições para o Parlamento Europeu e exigimos ao Presidente da República, por ser o garante da Constituição e da democracia eleitoral, que intervenha de imediato, adiando ou cancelando esta conferência”, declara João Semedo ao jornal “Diário de Notícias” deste domingo.

Segundo o jornal, a conferência organizada pelo Banco Central Europeu (BCE) para o dia 25 de Maio prolonga-se até 27 de Maio e tem o título “Política Monetária num Contexto Financeiro em Evolução”. A conferência começa no dia 25 de Maio à tarde com a intervenção de abertura de Mário Draghi (BCE). Estarão também presentes Christine Lagarde (FMI) e Durão Barroso (CE).

O coordenador do Bloco considera que esta conferência é uma “provocação política” e acusa BCE, FMI e Comissão Europeia de virem a Portugal “fazer campanha” ao lado de Passos Coelho, no próprio dia das eleições europeias.

“Levaremos a nossa ação política junto das instituições, de todos os órgãos de soberania e organismos do Estado que têm a responsabilidade de garantir o respeito pela liberdade e democraticidade em Portugal”

“Não nos surpreende que o Governo esteja a preparar esta golpada com a troika pela calada. Mas isto é viciar o jogo político, é tudo pela porta do cavalo” declara o deputado ao DN.

João Semedo sublinha ainda que o Bloco vai recorrer “a todos os instrumentos ao nosso dispor para impedir” a realização da conferência no dia das eleições.

“Levaremos a nossa ação política junto das instituições, de todos os órgãos de soberania e organismos do Estado que têm a responsabilidade de garantir o respeito pela liberdade e democraticidade em Portugal”, salienta Semedo.

O coordenador do Bloco diz também que espera que “todos aqueles que respeitam a democracia”, nomeadamente os partidos da oposição, “se envolvam e empenhem contra esta golpada”.