"Não tenham medo da negociação", dizem trabalhadores dos transportes

09 de março 2013 - 18:38

Mais de mil trabalhadores participaram na manifestação que encerra a semana de luta do setor dos transportes, com greves e plenários "contra a destruição da contratação coletiva". Os sindicatos querem negociar e rejeitam as "provocações" do deputado do CDS que acusou os grevistas de estarem a favorecer o transporte privado.

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Foto de Luís Filipe Pires

Este protesto em Lisboa percorreu as ruas entre o Largo Camões e a Assembleia da República, com os trabalhadores a entoarem slogans contra a perda de direitos laborais que será a consequência do fim da contratação coletiva. Um deles é o direito ao transporte na empresa onde trabalham, que é uma componente do salário e uma conquista centenária no caso dos ferroviários, que estavam em grande número nesta manifestação.

Para o coordenador da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans), a manifestação pretendeu mostrar ao país “o conjunto de lutas que foram feitas nas diferentes empresas em todo o país contra a destruição da contratação colectiva”.

Em declarações à RTP, José Manuel Oliveira disse que os trabalhadores estão dispostos a negociar e lamentam que "o Governo, nomeadamente o Secretário de Estado dos Transportes e agora um deputado da maioria, em vez de virem com propostas para solucionarem o conflito, vêm com um conjunto de provocações que nada acrescentam e nada resolvem"

O líder da Fectrans referia-se às acusações do deputado do CDS Helder Amaral contra as greves nos transportes públicos, em que Amaral insinuou que a CGTP estaria a beneficiar os operadores privados e a impedir o direito ao trabalho dos utentes. Em comunicado, a Fectrans devolveu as acusações, dizendo que o deputado "pretende agora passar as responsabilidades para aqueles que são vítimas das suas políticas, tal e qual o ladrão que depois do assalto grita – 'agarra que é ladrão' – para prenderem a vítima". Para José Manuel Oliveira, as palavras do deputado, secundadas pelo governante Sérgio Monteiro, "não abrem perspetivas de solucionar este conflito".

"O desafio que aqui queremos deixar ao Governo é que tirem as ilações desta semana de protesto e desta manifestação e não tenham medo da negociação, que certamente por essa via encontraremos soluções para este conflito", concluiu o dirigente sindical.

O líder da CGTP também esteve presente na manifestação e destacou aos jornalistas os três aspetos que justificam a semana de luta dos trabalhadores dos transportes. Para Arménio Carlos, "em primeiro lugar, houve uma destruição massiva do emprego: por exemplo, a Carris chegou a ter mais de 8 mil trabalhadores e hoje está reduzida a 2 mil. Em segundo, houve claramente uma visão de gestão privada que está a originar cortes de serviço e um aumento brutal dos preços dos serviços que são prestados à população. E em terceiro, o que está em marcha neste momento é uma tentativa de entrega da gestão à iniciativa privada". A privatização e concessão das empresas de transportes públicos "equivale a lucro, ou seja, a transferência de responsabilidade para as pessoas pagarem mais por um serviço que é pior", defendeu Arménio Carlos.