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Museu Nacional de Arte Antiga volta a encerrar salas

Em abril, o diretor do Museu antecipava ao Esquerda.net a necessidade de encerrar novamente parte do museu devido à impossibilidade de contratar vigilantes. Será um dos temas da interpelação sobre política cultural desta quarta-feira.
Com 20 vigilantes para 80 salas de exposição, o encerramento de salas é recorrente. 
Com 20 vigilantes para 80 salas de exposição, o encerramento de salas é recorrente. Foto de Tiago Ivo Cruz.

Várias salas da exposição permanente do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) voltaram a encerrar esta terça-feira devido à falta de vigilantes. As salas deverão ficar encerradas até setembro.

“Devido às limitações de pessoal técnico na área da vigilância informa-se que, a partir de 01 de junho, o Museu Nacional de Arte Antiga é obrigado a proceder ao encerramento de algumas áreas da sua exposição permanente, nomeadamente as coleções de mobiliário, ourivesaria, cerâmica e artes não europeias”, afirma o diretor do MNAA em comunicado citado pela Agência Lusa..

A bilheteira da entrada do Jardim será igualmente encerrada a partir de 9 de abril, “funcionando como único acesso ao museu a entrada da rua das Janelas Verdes”.

“Estas limitações prolongar-se-ão até que a situação de falta de pessoal na vigilância se altere, podendo manter-se até ao fim de setembro”, esclareceu o museu.

A situação não só não é nova como era previsível. Numa visita do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda ao museu, em abril, o diretor, Joaquim Oliveira Caetano, explicava que “com os horários de rotação, a partir de maio ficam em média com cinco vigilantes de sala para 65 salas. Por isso uma parte do museu está permanentemente fechada. Considerando que 3 dos 15 vigilantes têm de estar na loja, e com rotação devido a fins-de-semana e folgas, teremos apenas 5 vigilantes”, explica o diretor. A área do mobiliário português, acessível no piso térreo logo à entrada do museu, “está mais de metade do tempo fechada”.

Em 2010, o MNAA registava 96 trabalhadores no quadro, mais trabalhadores precários. Em 2019, após o PREVPAP e a vinculação dos precários, registava 67 trabalhadores no quadro. Crucialmente, são considerados trabalhadores da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), e não do museu. O que significa não só que não têm autonomia para contratação como estão sujeitos às necessidades prioritárias da própria DGPC, que absorve e transfere qualquer quadro especializado para as suas próprias funções.

Em agosto de 2020, o diretor do MNAA, Joaquim Caetano, decidiu encerrar salas entre as 12:00 e as 15:00 devido à falta de vigilantes, mantendo na altura o horário entre as 10:00 e as 18:00. Com 20 vigilantes para 80 salas de exposição, o encerramento de salas é recorrente. 

Criado em 1884, o MNAA e acolhe a mais relevante coleção pública de arte antiga do país, de pintura, escultura, ourivesaria, artes decorativas portuguesas europeias e da expansão marítima portuguesa, desde a Idade Média até ao século XIX.

Além dos Painéis de São Vicente, de Nuno Gonçalves, o acervo integra ainda a Custódia de Belém, de Gil Vicente, datada de 1506, e Biombos Namban, do final do século XVI, que registam a presença dos portugueses no Japão.

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