Mulheres saem à rua em protesto contra Berlusconi

13 de fevereiro 2011 - 16:40

Neste domingo milhares de pessoas, na maioria mulheres, dividem-se nas manifestações marcadas em 117 cidades italianas, em defesa da dignidade da mulher e reclamando a demissão de Berlusconi. Protesto estende-se a outras capitais europeias, incluindo Lisboa.

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"Somos mulheres e dizemos basta!", lê-se no cartaz erguido por umas das várias mulheres italianas que se juntaram num protesto em Atenas. Foto Simela Pantzartzi/EPA/LUSA.

Milhares de pessoas, na sua grande maioria mulheres, estão a manifestar-se em várias cidades de Itália para “defender o valor da dignidade das mulheres” numa altura em o primeiro-ministro italiano se arrisca a ser julgado por abuso de poder e práticas sexuais com uma prostituta menor de idade.

Os manifestantes pedem a demissão de Berlusconi."Se não agora, quando?", é o lema dos protestos deste domingo. Na Internet, petição já tem mais de 87 mil assinaturas.

De Palermo a Veneza, as mulheres italianas saíram à rua para denunciar a imagem “indecente” que é dada delas nos jornais e televisões de todo o mundo por causa dos escândalos sexuais que envolvem o primeiro-ministro italiano. Os cartazes denunciam “a representação indecente e repetida da mulher como objecto de comércio sexual”.

“A importância desta manifestação reside na participação de mulheres e homens, jovens e velhos, intelectuais e operários”, disse à AFP Rosa Russo Iervolino, a presidente da Câmara de Nápoles, que participou no protesto organizado na sua cidade.

Em Trieste, no Norte do país, cerca de 3000 pessoas pediram a demissão de Berlusoni. Mesmo sem terem sido convocados por nenhum sindicato ou partido, estes protestos foram vistos pela direita no poder como um ataque político.

Protestos estendem-se a outras capitais europeias, incluindo Lisboa

Mais de 30 cidadãos italianos protestaram este domingo à tarde, em Lisboa, contra o primeiro-ministro Sílvio Berlusconi e pela dignidade das mulheres.

"A Itália não é um bordel" e "A Itália não é mais um país para mulheres" eram algumas das frases afixadas ao início da tarde pelos manifestantes num edifício em frente à Embaixada de Itália, em Lisboa.

Para Paola D' Agostino, tradutora e residente em Portugal há mais de 10 anos,"ele [Sílvio Berlusconi] já devia ter-se demitido”. “A razão desta manifestação não é o mero moralismo. A vida privada não cabe a ninguém julgar. A Itália sofre as consequências de uma atitude imoral que está neste momento a assolar o país", afirmou defendendo que "a vergonha deve levar as pessoas a dizer basta" e apontando mesmo um "proxenetismo de Estado".

Marica Ferri, que vive há um ano em Portugal como investigadora, explica que o protesto de Lisboa está a acontecer ao mesmo tempo em dezenas de cidades italianas e noutras capitais europeias, tendo surgido de um "movimento espontâneo de cidadãos".

Já em Paris, por exemplo, cerca de 150 italianos apelaram junto ao Sagrado Coração, um dos pontos turísticos da cidade, à renúncia do primeiro-ministro, gritando "Desiste" e "Sai". Em Atenas, Grécia, um grupo de mulheres italianas saiu à rua para um protesto, erguendo uma faixa onde se lia “Basta!”.

"Depois de Mubarak, Sílvio Berlusconi"

Este foi o grito que marcou as manifestações de sábado. Centenas de pessoas saíram à rua em várias cidades italianas a pedir a demissão do primeiro-ministro e o fim dos abusos.

"Demissão, demissão", "Depois de Mubarak, Silvio Berlusconi," gritaram os manifestantes concentrados no centro de Roma. Bateram com tachos e panelas, assobiaram e cantaram "Bella Ciao", a canção da resistência italiana durante a Segunda Guerra Mundial.

Esta manifestação foi organizada pelo Povo Violeta, movimento constituído por "bloggers" auto-organizado que existe desde Outubro do ano passado e que se opõe a Berlusconi. "Saímos às ruas para defender a nossa amada Constituição, que nos protege dos abusos, tornando-nos iguais perante a lei. Saímos às ruas para restituir a dignidade às mulheres ofendidas nos média, porque somos italianas e o nosso direito deve ser respeitado. Saímos à rua para restaurar, com esforço e sacrifício, a democracia perdida", anunciou a organização.

Os manifestantes distribuíram também cerca de 500 exemplares da Constituição italiana.