Numa tentativa de controlar o aumento da população da Gronelândia, médicos dinamarqueses colocaram dispositivos intrauterinos a cerca de 4.500 raparigas a partir dos 13 anos entre 1966 a 1970. Um grupo destas mulheres juntou-se para processar o Estado dinamarquês por ter levado a cabo uma política de esterilização naquela região.
“Tivemos um DIU colocado sem o sabermos, e dessa forma fomos esterilizadas por um período de tempo mais curto ou mais longo”, conta Naja Lyberth, a psicóloga e ativista que foi a primeira voz a denunciar esta prática há seis anos.
Após esta intervenção médica não consentida, “muitas de nós fomos ao médico com dores, hemorragias internas e infeções abdominais e eles não fizeram caso. Para algumas, isso acabou com a remoção do útero, perdendo a capacidade de ter filhos e com outros efeitos na saúde física mais tarde”, acrescentou, citada pelo Guardian.
O escândalo só ganhou projeção mais recentemente, através de um podcast da estação pública de radiodifusão sobre estes acontecimentos.
Há alguns meses, a Dinamarca e o governo da Gronelândia lançaram uma investigação a estas práticas, abrangendo o período até 1991, quando este território autónomo assumiu a gestão dos serviços de saúde. Mas o relatório só deverá estar terminado em 2025.
“Este é um caso extremamente infeliz, e os testemunhos destas mulheres tocaram-me muito. É importante esclarecer isto até ao fim e por isso já há uma equipa de investigação a levar a cabo uma análise imparcial”, declarou a ministra da Saúde Sophie Løhde.