Em comunicado, o Movimento Não às Minas – Montalegre manifestou esta segunda-feira a sua oposição à abertura de uma mina de tungsténio na Borralha pela empresa Minerália que deverá funcionar durante 15 anos.
O Estudo de Impacte Ambiental deste projeto está em consulta pública até 17 de novembro e o movimento salienta que há “preocupações ambientais, sociais e de saúde pública”. Para além do mais, “persistem lacunas técnicas” do EIA que “impedem uma avaliação ambiental completa e fidedigna” deste.
O movimento indica ainda que participou numa reunião online sobre a questão, promovido pela Agência Portuguesa do Ambiente, que “evidenciou graves incongruências entre o EIA, as declarações do promotor e as observações técnicas e sociais locais”. Sublinha-se uma “falta de dados sobre metais radioativos e risco radiológico, contradições quanto ao modelo de exploração (subterrâneo ou híbrido), fragilidades nos estudos de segurança e estabilidade estrutural das galerias antigas, a ausência de metodologia transparente no estudo sociológico e a falta de confiança da população e entidades locais no processo”.
Nessa sessão, a empresa garantiu que “irá limpar todo o passivo ambiental atualmente existente antes da ativação e tratar todos os resíduos durante a exploração mineira, salvaguardando os recursos hídricos”. Mas está a ser “planeada uma nova área de resíduos de 12 hectares, o que levanta a questão de como o problema de resíduos ‘é resolvido’”.
O grupo está ainda preocupado com os impactes no lobo-ibérico.
A mina da Borralha está localizada a dois quilómetros da barragem de Venda Nova, que está integrada no sistema hidrográfico do rio Cávado e Rabagão e abastece de água potável milhares de pessoas. Fica ainda a seis quilómetros dos limites do Parque Nacional Peneda-Gerês, em Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés. Para além de estar dentro da zona do Barroso que é Património Agrícola Mundial.
Antes, as minas de Borralha tinham funcionado desde 1903 até 1986, sendo extraído volfrâmio.