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Motoristas que fizeram greve queixam-se de represálias dos patrões

Os motoristas de matérias perigosas acusam os patrões de tentar “impor represálias” aos trabalhadores que participaram na greve do início deste mês. Processos disciplinares, suspensões, ameaças de despedimento e serviços mais longe de casa estarão a ser utilizados para os punir.
Greve dos camionistas de matérias perigosas. Foto de Carlos Barroso. Lusa.
Greve dos camionistas de matérias perigosas. Foto de Carlos Barroso. Lusa.

Segundo o Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas, as empresas de transporte de mercadorias estarão a “impor represálias” aos motoristas que aderiram à greve do início de setembro.

O SNMMP enviou uma “carta aberta” ao primeiro-ministro para o instar a “agir imediatamente na proteção destes trabalhadores” de forma a “fazer cessar o ‘massacre’ que está a ser feito contra os mesmos”. Se nada for feito, os sindicalistas garantem que irão recorrer a “instituições judiciais europeias” porque consideram que estão a ser cometidas contra os motoristas “enormes ilegalidades e atentados”.

Em declarações à TSF, Francisco São Bento, presidente deste sindicato, explicou que já na anterior greve se tinham registado casos de pressões mas que estas se intensificaram a partir de agosto e setembro. Dá como exemplo a suspensão do tesoureiro do sindicato e avança com “entre quatro a cinco dezenas de processos disciplinares que foram implementados aos trabalhadores”. A eles somam-se outras represálias como a deslocação dos grevistas para longe de casa. Haverá trabalhadores que faziam serviços a dez quilómetros de casa que estão a ser obrigados a prestar serviços a mais de 100 quilómetros.

A carta cita os nomes das empresas Transportes Paulo Duarte, Lda., TIEL – Transportes e Logística S.A., Atlantic Cargo S.A., TML – Transportes os Três Mosqueteiros, Lda., Transportes Rodoviários J. Barroso, Lda. “entre outras” que “têm vindo sem qualquer pudor ou receio de sofrerem sanções a impor represálias aos trabalhadores que aderiram à greve”. O SNMMP responsabiliza a António Costa uma vez que estas “se sentem protegidas por V.ª Ex.ª tendo em conta a posição adoptada” pelo primeiro-ministro durante o período da greve. E exige uma alteração de postura “para agir imediatamente na proteção destes trabalhadores”.

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