Habitação

Montenegro insiste em “políticas de baliza aberta para a especulação imobiliária”

08 de janeiro 2026 - 17:36

No debate parlamentar com o primeiro-ministro, Fabian Figueiredo desafiou o Governo a seguir as recomendações da Comissão Europeia e da OCDE para travar a crise da habitação.

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Fabian Figueiredo
Fabian Figueiredo no plenário desta quinta-feira. Foto Manuel de Almeida/Lusa

Luís Montenegro foi ao Parlamento para o primeiro debate com os deputados desde a mensagem da época natalícia em que pediu aos portugueses que tenham a “mentalidade de Cristiano Ronaldo”. E foi recebido pelo deputado bloquista Fabian Figueiredo com algumas metáforas futebolísticas para retratar o fracasso das políticas de habitação do Governo.

“O país não precisa de um mental coach em São Bento, mas de um governante concentrado em resolver os problemas da saúde e garantir que os portugueses conseguem pagar a casa”, afirmou o deputado do Bloco de Esquerda, lembrando que o programa “Construir Portugal”, lançado por Montenegro e que “ia resolver os problemas da habitação, revelou-se um rotundo autogolo”.

Também as isenções do IMT que iam garantir casa aos jovens só contribuíram para hoje termos “a maior crise de habitação”, prosseguiu Fabian Figueiredo, criticando também a intenção de baixar a fiscalidade dos fundos imobiliários e das construtoras.

Quanto ao conceito da renda moderada criado pelo Governo, que pode ir até 2.300 euros mensais, Fabian diz que se trata de um valor da “Champions da especulação imobiliária e que na vida concreta dos portugueses significa despejo”.

O deputado do Bloco aconselhou Montenegro a olhar para as recomendações da OCDE e da Comissão Europeia, “que já lhe mostraram o cartão amarelo” e defendem medidas para a redução do turismo excessivo e do alojamento local. Caso contrário, o Governo continuará na senda das “políticas de baliza aberta para a especulação imobiliária”, alertou.

Na resposta, Luís Montenegro admitiu que as medidas do Governo “são medidas arriscadas” e que “não implicam resultados imediatos”, mas diz-se confiante de que o país vai “aguentar o embate do período de transição” e que no futuro “a moderação do preço será inevitável”. Montenegro criticou também medidas como a limitação do Alojamento Local e o teto às rendas, dizendo que em Barcelona a situação está pior depois da aplicação dessas medidas.

Num debate que durou menos do que alguns descontos de tempo regulamentar em jogos de futebol, Fabian Figueiredo ainda teve tempo para aconselhar Montenegro a que “deixe de ver o país do camarote VIP” e vá ler o relatório do Conselho Europeu da Habitação, onde participa Carlos Moedas. “Verá que o teto as rendas e a regulação do Alojamento Local não é um capricho do Bloco de Esquerda, é a razão a falar mais alto”, concluiu