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“Monoculturas super-intensivas são problema de ordenamento e saúde pública”

Na localidade alentejana de Alfundão, Catarina Martins ouviu as queixas de quem vive junto ao olival super-intensivo. Lembrando os dois anos dos incêndios de Pedrógão, a coordenadora bloquista defendeu apoios públicos para evitar que o território fique condenado a escolher entre o eucalipto ou o abandono.
Catarina Martins com a população de Alfundão, em Ferreira do Alentejo. Foto de Paula Nunes.

Catarina Martins visitou esta segunda-feira a localidade do Alfundão, no concelho de Ferreira do Alentejo, a convite da população que alerta para o perigo do olival super-intensivo que se estende até à porta da escola local.

“O governo tem vindo a dizer que está tudo bem, mas eu tenho vindo cá várias vezes porque várias vezes somos chamados por quem aqui vive e sente na pele os problemas de saúde e ambientais crescentes de uma monocultura intensiva e super-intensiva sem regras”, afirmou a coordenadora do Bloco aos jornalistas, sublinhando que as monoculturas intensivas e super-intensivas no Alentejo representam “um problema de ordenamento do território, de solos e água e um problema de saúde pública”.


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O Bloco apresentou em maio propostas no parlamento para que seja estudado o que está a acontecer no Alentejo no que diz respeito a estas monoculturas intensivas do olival e do amendoal, mas também para criar regras novas que controlem o tipo de pesticidas e fitofármacos que são utilizados e a forma como são espalhados. Por outro lado, o Bloco quer garantir uma distância mínima das culturas aos sítios onde a população vive. “Aqui há cultura intensiva até à porta das escolas, isto é perigoso e inadmissível”, alertou Catarina Martins.

A proposta do Bloco prevê ainda uma moratória para novas plantações até que a lei de regulamentação esteja pronta. Esta regulamentação deve prever corredores ecológicos, não que evitem manchas contínuas de cultura intensiva e super-intensiva que criam problemas graves para a biodiversidade.

“O ambiente e a saúde pública não valem menos que a rentabilidade imediata e muito alta de quem tem a cultura intensiva. O tempo desta legislatura está a esgotar-se e o governo deve agir rapidamente”, prosseguiu Catarina, acrescentando que as explicações dadas na semana passada pelo ministro do Ambiente ao parlamento “ficaram aquém do necessário”.

Dois anos dos incêndios de Pedrógão Grande: “Território não pode ser obrigado a escolher entre o eucalipto e o abandono”

Questionada pelos jornalistas acerca dos dois anos  dos incêndios de Pedrógão, Catarina Martins sublinhou que “para mudarmos o território, precisamos de apoios”. E registou que uma das uma das propostas feitas pelo Bloco nesta legislatura - o aumento das equipas de sapadores florestais - foi concretizada. O mesmo não aconteceu com as unidades de gestão florestal propostas pelo Bloco, que “ainda não apareceram e são fundamentais, porque nós não vamos conseguir proteger o território sem as pessoas que lá vivem”, defendeu Catarina.

“A falta de apoio em regiões de micropropriedade faz com que o território fique condenado ou à cultura intensiva do eucalipto ou ao abandono. Para que não fique entre uma coisa e outra, é preciso apoio público”, insistiu a coordenadora bloquista.

“Nestes dois anos de uma tragédia terrível somos chamados a pensar nos apoios que ainda faltam a quem sofreu e está a sofrer a tragédia, mas somos forçados também a pensar não só na forma como combatemos os fogos mas também na forma como mudamos o território, no apoio às comunidades rurais espalhadas pelo país para que possam ter uma floresta mais segura e não ficarmos neste ciclo terrível entre o eucalipto e o abandono”, concluiu.

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