Num requerimento dirigido a Carlos Moedas, a vereadora do Bloco de Esquerda na Câmara Municipal de Lisboa denuncia que as pessoas timorenses alojadas no Pavilhão da Policia Municipal em Campolide, foram informadas de que devem abandonar o local até ao final de setembro, sem que lhes tivesse sido comunicada qualquer alternativa.
Há cerca de um ano foi notícia a situação de vulnerabilidade de centenas de timorenses que chegaram a Portugal através de redes de imigração que lhes cobram milhares de euros com a promessa de trabalho no setor agrícola. Mas à chegada ao nosso país, o sonho rapidamente se desfaz, com as condições insalubres, a precariedade e a falta de trabalho a darem lugar a situações de fome e de sem-abrigo em Lisboa, para onde muitos trabalhadores migrantes timorenses se deslocam à procura de conseguir novo trabalho.
A existência de centenas de cidadãos timorenses a dormir nas ruas de Lisboa levou o Bloco de Esquerda a propor em outubro de 2022 a criação de um Projeto Municipal de Acolhimento de Emergência “ITA HOTU HAMUTUK - todos juntos”, com o foco no apoio e acompanhamento destas pessoas, através da criação de condições de Habitação, Trabalho, Saúde e Educação. Mas a proposta está há quase um ano na gaveta de Carlos Moedas, após a vereadora dos Direitos Sociais ter pedido a sua retirada para poder articular as medidas. Entretanto, Nessa altura, o Pavilhão da Polícia Municipal, que desde fevereiro acolhia refugiados da guerra da Ucrânia, deixou de ter procura de cidadãos ucranianos e passou a acolher sobretudo cidadãos timorenses.
Ao fim de um ano sem respostas, Beatriz Gomes Dias diz que a agora anunciada saída das mais de 75 pessoas pessoas timorenses que estão no Centro de Acolhimento de Emergência da CML "é muito grave e pode significar que todas elas irão aumentar o número de pessoas em situação de sem abrigo que não pára de aumentar desde a tomada de posse de Carlos Moedas".