Contas da CML

“Moedas não foi capaz de responder a problemas de quem vive e trabalha em Lisboa”

30 de abril 2024 - 15:02

Bloco denuncia que, apesar do orçamento milionário e do aumento do passivo, mantiveram-se os problemas na habitação e o aumento de pessoas em situação de sem abrigo, a má qualidade dos transportes públicos e a falta de investimento na mobilidade, ou a crise do lixo.

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Carlos Moedas.
Foto Tiago Petinga, Lusa.

Em comunicado, a vereação do Bloco explica que votou contra o relatório e contas da Câmara Municipal de Lisboa e empresas municipais de 2023 porque, “apesar de apresentar uma execução superior a mil milhões de euros, 25% acima dos valores pré covid e com aumento das receitas e da taxa turística, a gestão de Carlos Moedas não foi capaz de tratar dos grandes problemas de quem vive e trabalha em Lisboa”.

No documento são deixadas críticas à forma como Moedas lidou com as Jornadas Mundiais da Juventude, que “tiveram um impacto negativo no comércio em Lisboa e nas contas da CML, aumentando o passivo do município”. O Bloco destaca que a atenção dispensada ao evento por Carlos Moedas afetou a intervenção estrutural na habitação, com uma execução de 50% no caso da CML, e pôs em causa a gestão da crise do lixo, o investimento na mobilidade e outras incumbências da autarquia.

Acresce que a ação de Moedas “aumentou a desigualdade em Lisboa, com a devolução de 47 milhões de euros de IRS às famílias mais ricas da cidade e aumentando o passivo da CML, diminuindo a capacidade de intervenção do município aos mais vulneráveis”.


O Bloco refere ainda o saldo negativo da descentralização da educação, com mais de 29 milhões de euros de prejuízo, lembrando que o partido alertou, em 2019, “que este seria o resultado da descentralização e que os fundos eram insuficientes”. Esta advertência não foi, contudo, tida em conta, já que “PS e PSD decidiram avançar nesse sentido, criando um buraco nas contas da CML”.

Os bloquistas criticam também o fim do Orçamento Participativo, uma medida do Bloco aplicada há mais de uma década, que foi abandonada, “apesar da retórica sobre ‘ouvir as pessoas’ que Carlos Moedas tem usado”.

Em resumo, em 2023, e apesar do orçamento milionário e do aumento do passivo, “mantiveram-se os grandes problemas de Lisboa na habitação, no aumento de pessoas em situação de sem abrigo, na má qualidade dos transportes públicos, na falta de investimento na mobilidade, nas estradas esburacadas, no espaço público, ou na continuação da crise do lixo”, escreve a vereação do Bloco.

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