O Ministério do Trabalho decidiu manter a reunião que agendou para esta quarta-feira para discutir a sua proposta de pacote laboral. A data escolhida não teve o acordo da UGT, que manifestou indisponibilidade para comparecer, propondo que se realizasse em qualquer outra data.
A UGT foi a única central sindical convidada para a reunião e acusa o Governo “de uma clara precipitação face à necessidade de, em reuniões desta natureza, se acordarem datas e ordem de trabalhos com os demais interlocutores”.
Além disso, entende que “não se justifica “a pressa desta ‘convocatória’ extemporânea”, tendo em conta também que “não se realizou sequer qualquer discussão em torno das propostas da UGT consolidadas no documento ‘Trabalho com Direitos XXI’”, em que esta central sindical apresenta as suas propostas para o debate da revisão das leis do trabalho.
Na sequência da forte mobilização na greve geral de dezembro convocada pelas duas centrais sindicais e sindicatos independentes, o Governo admitiu fazer cedências mas sem retirar o que chama as “traves mestras” e que se traduzem na retirada de direitos dos trabalhadores. Na campanha para as presidenciais, António José Seguro afirmou que se oporia a uma reforma feita em o acordo da UGT na concertação social.
Nos últimos meses, o coordenador do Bloco de Esquerda tem reunido com as direções das centrais sindicais e de vários sindicatos para manter o tema aceso na agenda política e apelar a que a unidade expressa na greve geral prossiga até à derrota do pacote laboral proposto pelo Governo.