Depois do líder da Apifarma ter dito em entrevista ao Jornal de Negócios e Antena 1 que os preços dos medicamentos em Portugal vão ter de subir “mais tarde ou mais cedo”, a ministra da Saúde veio a público concordar com o representante da indústria farmacêutica e preparar a opinião pública para ver aumentar ainda mais a fatura na farmácia.
“Para já não temos ainda uma razão para uma preocupação maior, mas temos de estar preparados, temos de estar preparados”, afirmou Ana Paula Martins aos jornalistas durante uma visita esta quarta-feira ao Hospital de Santo André, em Leiria.
Também esta quarta-feira o diretor executivo do SNS foi ao Parlamento responder aos deputados da comissão de Saúde. Face ao falhanço do Governo em cumprir a promessa de reduzir a listas de espera no SNS, Álvaro Almeida atribuiu a causa à falta de médicos e enfermeiros.
“Apesar de neste momento o SNS ter uma capacidade de resposta em quantidade e qualidade como nunca teve, o facto é que, provavelmente, precisaríamos de aumentar ainda mais essa capacidade de resposta para responder às necessidades da população que crescem muito rapidamente”, disse o diretor executivo do SNS, citado pela agência Lusa.
"As listas de espera são algo com que vamos ter que viver e o nosso esforço tem de ser – e é nisso que estamos empenhados – evitar o seu aumento”, admitiu o responsável.
Ao mesmo tempo que recusa que haja restrição de meios financeiros ou humanos, Álvaro Almeida admitiu também que a promessa de atribuir médico de família a todos os utentes será irrealizável.
O argumento da falta de médicos e enfermeiros contrasta com a intransigência do Governo nas negociações com os respetivos sindicatos que apresentaram propostas concretas de melhorias na carreira que permitam atrair e fixar médicos no SNS. Nos últimos anos são muitos os profissionais de saúde que optam por sair para o privado ou para o setor público de saúde estrangeiro, onde encontram melhores salários e condições de trabalho. Esta sangria de quadros enfraquece o SNS português e contribui para o aumento do mercado dos grupos privados de saúde.