O coordenador do Bloco de Esquerda reuniu esta sexta-feira com a Federação Nacional dos Médicos. À saída do encontro, José Manuel Pureza sublinhou a grande identificação de pontos de vista sobre o diagnóstico e as soluções para reter e atrair médicos para o SNS. “Quer a FNAM quer o Bloco de Esquerda defendem que há que criar condições em questões como as 35 horas, a inclusão dos internos na carreira médica ou a contratação de profissionais em número suficiente, para que os cuidados de saúde sejam efetivamente de qualidade”
O coordenador bloquista diz não ter dúvidas de que “a desqualificação do SNS é umas das estratégias deste Governo que tem sido mais patente” e isso passa pela questão do estatuto e da carreira dos profissionais de saúde, nomeadamente dos médicos.
“Esta desqualificação é feita em nome de uma agenda ideológica por parte do Governo que não tem outro objetivo que não seja favorecer o negócio privado da saúde”, prosseguiu Pureza, que prevê isso se vá traduzir em breve na “perda de posições nos indicadores de saúde” por parte de Portugal. E mais do que “um campeonato”, essa queda na tabela internacional significa “perda de segurança das pessoas e isso não podemos aceitar”.
Questionado sobre o arranque do modelo do Governo que vai concentrar as urgências de obstetrícia no hospital de Loures, Pureza respondeu que “se perguntar a uma pessoa que vive em Benavente, ela dirá o que é que isto significa: concentrando tudo no hospital Beatriz Ângelo, em Loures, tirando a de Vila Franca, há uma parte importante desta região que vai ficar muito mais distante da prestação de cuidados de urgência do que tem agora”.
“Podemos mascarar isto de uma linguagem técnica qualquer, dizendo que é o rácio, poupança de recursos, sinergias, mas não é outra coisa que não seja encerrar unidades de urgência e concentrá-las todas num único local”, prosseguiu o coordenador bloquista, criticando uma medida que trará “perda de qualidade e perda de segurança para as mulheres numa das alturas da vida em que é necessário ter mais segurança, mais serenidade e mais tranquilidade”.