Gaza

Ministério da Saúde português quer reunir com homólogo israelita no meio do genocídio

01 de agosto 2024 - 13:05

O Bloco de Esquerda questionou a ministra da Saúde com a informação de que em Setembro estará agendada uma reunião com o ministro da Saúde israelita. Atualizado com resposta do Governo.

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Ataque israelita ao hospital Al Ahli em Gaza.
Ataque israelita ao hospital Al Ahli em Gaza. Foto MOHAMMED SABER/EPA/Lusa.

Numa pergunta dirigida à ministra da Saúde, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda questiona-a sobre as informações de que estará a ser agendada para setembro uma reunião entre os Ministérios da Saúde português e israelita com o objetivo de estabelecer “áreas de cooperação entre as duas partes”.

Para o partido, “a confirmar-se, tal reunião acontecerá enquanto o Governo de Israel continua a levar a cabo um genocídio em Gaza”.

Em resposta ao Bloco de Esquerda, o Ministério da Saúde disse que não tem nenhuma reunião agendada com o Ministério da Saúde de Israel, mas o gabinete da ministra Ana Paula Martins confirma que recebeu, no entanto, um pedido de audiência da embaixada de Israel. Esse pedido ainda não foi agendado e no que diz respeito ao relacionamento com Israel, o Ministério da Saúde afirma que vai seguir as orientações do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

O Bloco recorda que “desde outubro do ano passado, o Governo israelita destruiu hospitais e centros de saúde na Faixa de Gaza, bombardeou instalações de saúde e ambulância, privou a população de cuidados médicos, impediu a entrada de ajuda humanitária e condenou toda uma população à fome, sede e doença”.

A situação na zona é de “centenas de milhares de casos de doenças contagiosas sem que existam meios de impedir a sua disseminação por toda a população”. Para além disso, “também na Cisjordânia as forças israelitas atacaram unidades de saúde, clínicas móveis e ambulâncias”, afirma-se.

Assim, se a reunião acontecer, segundo os deputados bloquistas, “o Governo português estará a branquear tudo o que Israel está a fazer em Gaza; estará a compactuar com a política de ódio de agressão e com a forma como, pela força das armas, destruíram todo o sistema de saúde de Gaza para deixar a população sujeita à doença e à morte”. E a “compactuar, sem margem para dúvidas, com o governo de extrema-direita israelita e com a sua política de aniquilação da Palestina”.

Ao fazê-lo, “estará a contrariar de forma clara as posições da OMS e as deliberações da ONU sobre a situação”.

O partido quer portanto saber se a reunião está confirmada, se o Governo “apoia as ações de Israel em Gaza e na Cisjordânia, nomeadamente a destruição de equipamentos de saúde, o bombardeamento de ambulâncias, o assassinato de profissionais de saúde e a disseminação de doenças”, se “subscreve as posições do governo de extrema-direita israelita” e se ignora as posições da OMS e da ONU sobre o massacre em curso”.