Ao abrigo dos seus direitos regimentais e constitucionais o Bloco de Esquerda requereu com urgência a Audição Parlamentar do Ministro da Saúde e do presidente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo para que o Parlamento seja informado e possa discutir a anunciada reforma das urgências hospitalares na cidade e na região de Lisboa que, de acordo com a escassa informação disponível, está prevista iniciar-se dentro de 15 dias.
Na resposta, o Ministério da Saúde diz que o Bloco de Esquerda dispõe de toda a informação desde Maio, invocando a audição do presidente da ARS de Lisboa pelo Parlamento então realizada.
Segundo o Bloco o Ministério da Saúde, mais uma vez, prefere a chicana política à verdade e, sobretudo, à informação da população sobre as mudanças que vai introduzir nas urgências dos hospitais da região de Lisboa.
"Há uma evidência que Paulo Macedo não pode negar: estamos a 15 dias da maior mudança alguma vez realizada nas urgências de Lisboa e não há um só lisboeta que saiba o que vai acontecer, que serviços vão fechar e que serviços continuam a funcionar".
"A 15 dias de um novo modelo de urgências, a população de Lisboa desconhece o que deve fazer, aonde se deve deslocar sempre que necessitar de recorrer a uma urgência hospitalar. É lamentável que o ministro da Saúde admita mudar as urgências em Lisboa sem que a população tenha recebido qualquer informação sobre essas mudanças a 15 dias delas acontecerem", lê-se no comunicado.
O Bloco diz ser lamentável e significativo do desprezo de Paulo Macedo pelos cidadãos que necessitam de recorrer aos serviços de saúde. "Não são as pessoas nem a melhoria dos cuidados que lhe são prestados nas urgências a motivação de Paulo Macedo mas sim a redução da despesa, custe o que custar e mesmo que os cortes se traduzam em piores cuidados de saúde. Por alguma razão o ministério esconde o que quer fazer nas urgências de Lisboa", acusam.
"O Ministro da Saúde pode satisfazer-se com as generalidades que os seus subordinados lhe dizem, mesmo quando o assunto é complexo, delicado e muito concreto, como é o caso da reforma das urgências em Lisboa. Mas nem o Bloco de Esquerda, nem a população se satisfazem com as ideias e princípios gerais como as que foram apresentadas na audição do presidente da ARS de Lisboa em 29 de Maio, durante a qual não foi apresentado qualquer plano para a reforma daqueles serviços de urgência".
"Até hoje o Parlamento não recebeu qualquer projeto ou plano relativo às mudanças que o governo quer introduzir em Lisboa a partir de 1 de Setembro. Se o Ministério da Saúde se tivesse dado ao cuidado de visionar o vídeo daquela audição do presidente da ARS de Lisboa (disponível a qualquer interessado) teria verificado que o Parlamento não foi efetivamente informado nem discutiu qualquer projeto de reforma daqueles serviços de urgência. E teria evitado ainda esta tosca tentativa de iludir a opinião pública sobre quem quer saber e quem quer ocultar o que está em preparação".
O Bloco de Esquerda relembra que, em Abril, o PSD e o CDS chumbaram um requerimento para a audição do ministro da saúde sobre o tema das urgências dos hospitais da região de Lisboa. Na sequência desse chumbo realizou-se a audição do presidente da ARS de Lisboa. Mas uma reforma desta natureza e com os impactos que terá naqueles serviços e na vida dos lisboetas não é uma questão exclusivamente técnica, há uma decisão e uma responsabilidade políticas a que Paulo Macedo não pode eximir-se. O Bloco de Esquerda insiste na atualidade e importância da audição do ministro da saúde.
"A quinze dias de se iniciar a referida reforma nem a população, nem o Parlamento dispõem de um mínimo de informação ou tiveram qualquer oportunidade de participar na discussão. Do mesmo se queixa a comunidade dos profissionais de saúde. O bom senso recomenda que seja suspensa a sua aplicação para que, uma mudança daquela dimensão, possa ser suficientemente discutida e divulgada, e para que não haja decisões precipitadas numa área tão sensível dos cuidados de saúde, de forma a permitir que sejam alcançados os níveis de informação à população exigíveis quando se trata de mudanças tão significativas".
"Paulo Macedo devia ser o mais interessado em que este processo decorra com a máxima transparência, informação e participação. Pelos vistos, o seu ministério prefere o secretismo e a ocultação", concluem os bloquistas.