Espanha

Milhares nas ruas da Andaluzia pelo direito à saúde

10 de novembro 2025 - 15:32

Uma participação “massiva” reivindicou a demissão do presidente regional Juanma Moreno devido ao escândalo dos rastreios do cancro da mama, mas também por se considerar que está a “privatizar” o sistema de saúde local.

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Manifestação pelo direito à saúde na Andaluzia.
Manifestação pelo direito à saúde na Andaluzia. Foto do X.

Este domingo, milhares de manifestantes saíram às ruas das oito capitais provinciais da Andaluzia “em defesa da nossa saúde pública” e com a exigência de demissão de Juanma Moreno, o presidente do Governo da região autónoma.

De acordo com a polícia, teriam sido 56.700 a responder ao apelo da Marea Blanca que contou com o apoio das duas maiores centrais sindicais, Comisiones Obreras e UGT. Os organizadores apontam para números muito mais elevados, afirmando terem estado mais de 25.000 pessoas só em Sevilha, um crescendo face às 20.000 da semana passada e às 8.500 de há duas semanas. Referem uma participação “massiva” e “tremenda”.

À cabeceira do protesto seguia a Amama, a associação que revelou o escândalo dos rastreios do cancro da mama na região. Ficou-se a saber que milhares de mulheres não foram notificadas que deveriam fazer exames adicionais dado o primeiro diagnóstico. Algumas só souberam que o deveriam ter feito depois de terem recebido o diagnóstico de cancro.

Para além deste caso, os manifestantes denunciam o desinvestimento, as listas de espera que aumentam, as intenções de “privatização” do sistema de saúde regional por parte do governo de direita e criticam os “maus-tratos” contra os profissionais de saúde por parte da tutela. No manifesto que convocou a ação podia ler-se que o “escândalo” dos diagnósticos de cancro da mama é apenas “a ponta do icebergue da deterioração da saúde pública”. Esta é “generalizada e planificada”, afirma-se.

Também marcaram presença as forças políticas de esquerda com representação no parlamento regional: o PSOE, o Por Andalucía e o Adelante Andalucía. Pelos primeiros, María Márquez, vice-secretária regional da secção andaluza do PSOE, considerou “insuportável” que Moreno tenha dado a crise como “resolvida” sem esclarecer sequer quantas mulheres foram afetadas e quantas mulheres tinham cancro sem o saber, isto para além das mulheres afetadas continuarem “sem receber a chamada para repetirem as mamografias”.

Do lado do Por Andalucía, Toni Valero, o coordenador-geral regional de um dos partidos da coligação, a Izquierda Unida, considerou o presidente do executivo “está a enganar o povo andaluz” no caso dos rastreios e tem um plano de emergência que é “uma farsa” e “um paliativo”, pois “não contratará os radiologistas necessários”. Critica ainda o governo regional por “desviar fundos públicos para clínicas privadas enquanto se desmantela o sistema público" está a ser "impiedosamente implementado”.

Do Adelante Andalucía, o seu porta-voz, José Ignacio García, exigiu a demissão de Moreno, que considera “culpado” de aplicar um plano para a privatização da saúde, reivindicando a aplicação de um modelo no sentido contrário, que “aposte” na saúde pública.

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