Segundo a RTÉ (Raidió Teilifís Éireann - televisão irlandesa), os protestos deste sábado juntaram dezenas de milhares de pessoas: 30.000 em Dublin, 4.000 em Letterkenny, 3.500 em Cork, 2.500 em Waterford, 300 em Limerick e 2.000 noutras cidades.
Na Irlanda, o abastecimento da água não era pago diretamente, estando incluída nas taxas pagas aos municípios.
No quadro do acordo com a troika, o governo de coligação dos partidos Fine Gael e Labour, decidiu que a água passe a ser cobrada, começaram a instalar contadores, que não existiam, e estabeleceu uma taxa que começou a ser paga a 1 de janeiro de 2015. A nova taxa será de 160 euros anuais, nas habitações em que vive só uma pessoa, e de 260 euros anuais, naquelas onde vivem várias pessoas.
A introdução desta nova taxa penaliza fortemente as pessoas que vivem em situações de pobreza: Mais de 750 mil pessoas (16,3% da população) vivem na pobreza, das quais 220 mil crianças e 68 mil reformados.
Em 2 de novembro passado, houve mais de cem manifestações em todo o país e, em 10 de dezembro, manifestaram-se mais de cem mil pessoas, segundo os organizadores.
O “Diário da Liberdade” refere que Paul Murphy, eleito deputado numa eleição intercalar em 2014 pela Aliança Anti-Austeridade (AAA), afirmou que os protestos não vão parar agora que a medida do governo foi tomada, mas vão "explodir" quando as faturas começarem a chegar às casas das pessoas.
Segundo o “The Irish Times”, Thomas Gould do Sinn Féin disse que a taxa da água foi criada pelo governo do Fine Gael e do Labour por duas razões: a primeira, para sacar dinheiro ao povo irlandês, a segunda para “privatizar a água porque as elites pensam que governam este país e que podem tornar-se mais poderosas e fazer mais dinheiro – nós dizemos 'Não, nunca'”
Mick Barry do Partido Socialista e da AAA declarou: “No ano passado, as manifestações massivas forçaram o governo a cedências e este ano as manifestações poderão acabar com as taxas”.
Jim O’Connell do partido de esquerda People Before Profit apelou às pessoas a que não paguem as faturas, quando as receberem neste ano.