Depois de ataques de grupos alauitas, defensores do regime do ex-presidente sírio Bashar Al-Assad, na zona da costa do Mediterrâneo na passada quinta-feira, o novo exército nacional ripostou tendo sido mortos pelo menos 973 civis em perto de 72 horas, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.
A mesma fonte contabilizava no domingo mais de 250 combatentes favoráveis ao anterior governo mortos e mais de 230 do lado do novo governo.
A organização não governamental sediada em Londres mas com uma rede de contactos no país denuncia execuções sumárias e faz um apelo “urgente” para o Governo “responsabilizar o pessoal de segurança e defesa” implicado nnesses atos, pois “a impunidade alenta a repetição de crimes no futuro, o que ameaça a estabilidade política e social na Síria.
O OSDH acusa “as forças de segurança, o pessoal do Ministério da Defesa e as suas forças aliadas” de cometerem “crimes de guerra e violações de direitos humanos, na ausência de medidas legais dissuasórias”.
Os alauitas são um grupo pertencente ao ramo xiita do Islão. São o segundo maior grupo religioso do país, a seguir aos sunitas. Assad pertence àquele grupo e era acusado de os beneficiar sistematicamente, adquirindo forte presença no topo dos aparelhos administrativo, militar e de segurança do regime. A ONG considera que este é o contexto de “operações de vingança generalizada” por parte das forças militares de maioria sunita, onde para além de “matanças massivas”, há “incêndios de habitações e deslocações forçadas”.
A Reuters dá conta que algumas mesquitas da região leais ao novo governo lançaram apelos a uma “guerra santa” em apoio aos militares do governo.
Por seu turno, Ahmed al Sharaa, nomeado presidente interino, anunciou a criação de um comité "independente para investigar as violações contra civis” e apurar responsáveis, tendo este 30 dias para fazer um relatório para “revelar as causas, circunstâncias e condições que levaram à ocorrência destes eventos” que considerou serem “um banho de sangue de civis”. O mesmo órgão teria ainda como tarefa providenciar apoio e garantir proteção a estas populações. No seu discurso deste domingo acusou ainda os apoiantes de Assad de tentarem arrastar o país outra vez para a guerra civil e jurou persegui-los.
Já esta segunda-feira, o Ministério da Defesa garantiu que as “operações militares” contra os apoiantes de Assad estavam terminadas. Na rede social X, Hassan Abdul Ghany, porta-voz deste Ministério, assegurava que as instituições públicas seriam agora capazes de retomar as suas atividades.
Contudo, o OSDH denuncia que grupos armados fiéis àquele Ministério continuam a atacar civis. Estes terão irrompido por Harison, na zona costeira de Baniyas, onde “pilharam e incendiaram casas e propriedades civis”.
As fontes da ONG relatam igualmente que “a situação de vida no litoral sírio se deteriorou dramaticamente com a suspensão da entrega de alimentos e produtos básicos durante dias” e que a população lançou um pedido de ajuda para garantir meios de subsistência básicos face à interrupção da eletricidade e da água potável.