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México reclama a restituição de objetos pré-coloniais leiloados em França

São cerca de trinta peças consideradas de alta relevância cultural que serão dispersas num leilão da Christie’s esta terça-feira em Paris.
Uma das máscaras consideradas falsas pelo Instituto mexicano e que será leiloada pelo preço de 550.000 euros pela Christie’s.
Uma das máscaras consideradas falsas pelo Instituto mexicano e que será leiloada pelo preço de 550.000 euros pela Christie’s. Imagem via christies.com.

Com o título “Quetzalcóatl, serpent à plumes”, a leiloeira Christie’s pretende vender cerca de trinta objetos pré-coloniais esta terça-feira. O México pediu oficialmente a anulação da venda e exige a sua restituição.

A exigência do país é sustentada pelo Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH), um organismo do Estado com a competência de resgatar peças relevantes da cultura asteca, maia, tolteca, totonaca, teotihuacam e mixteca.

“Os bens arqueológicos do nosso país são a propriedade da nação, inalienáveis, imprescritíveis e inacessíveis e, por consequência, estão impedidos de ser incluídos em qualquer ato comercial”, declarou Diego Prieto, diretor do Instituto, em conferência de imprensa onde exigiu a sua restituição, citado pela AFP. E alertou que, dos 33 objetos propostos para venda no leilão da Christie’s, “já determinados que três são falsos”. Serão peças “artesanais” mas não arqueológicas, sustenta.   

Uma das três peças em questão, o lote 23, é uma máscara atribuível à cultura teotihuacana e o preço de referência da leiloeira será 550.000 euros. Mas, segundo Diego Prieto, “não são de fabrico antigo”.

As duas outras peças em litígio são uma máscara e uma escultura de uma rã, cotadas respetivamente em 40.000 e 30.000 euros.

Há muitos anos que o México desenvolve esforços de resgate do seu património histórico disperso por coleções privadas em todo o mundo, mas encontrou dificuldades em recuperar as peças em França devido à sua legislação. No entanto, “a lei francesa pode-se aplicar, uma vez que estão em vigor leis que penalizam duramente a contrafação”, declarou Diego Prieto.

Em 2019, o México exigiu, em vão, o cancelamento de um leilão de arte pré-colombiana organizada pela leiloeira francesa Millon. A legislação mexicana determina que os objetos culturais antigos descobertos no território mexicano pertencem ao país. Mas, se saírem ilegalmente do país, é difícil recuperá-las.

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