Angela Merkel defendeu num comício em Meschede, na Renânia, que “em países como a Grécia, Espanha e Portugal, as pessoas não devem poder ir para a reforma mais cedo do que na Alemanha", onde a idade da reforma passará gradualmente dos 65 para os 67 anos, entre 2012 e 2029.
A chanceler alemã defendeu ainda que "todos temos de fazer um esforço, isso é importante, não podemos ter a mesmo moeda, e uns terem muitas férias e outros poucas", em alusão à necessidade de uniformizar os períodos de férias ao nível da União Europeia.
Na Alemanha, a legislação prevê que os trabalhadores tenham direito a um período mínimo de 20 dias de férias por ano, sendo que, muitas vezes, esse período é alargado, em resultado dos acordos colectivos firmados.
No seu discurso, Merkel salientou ainda que a ajuda alemã tem contrapartidas: “Não podemos simplesmente ser solidários e dizer que esses países podem continuar a agir como agiram até agora. A Alemanha está disposta a ajudar, mas só se os demais se esforçarem, e é preciso que demonstrem isso”, adiantou.
As propostas apresentadas agora pela chanceler alemã não são inéditas, sendo que, há alguns meses, foram apresentadas em conjunto pela Alemanha e pela França no seu “Pacto para a Competitividade” aos outros membros da União Europeia. Este pacto incluía, também, uma forte contenção nos aumentos salariais, que deixariam de estar indexados automaticamente à inflação.
Merkel quer “impor sempre a sua palavra”
Francisco reagiu às afirmações de chanceler alemã, afirmando que “precisamos de generosidade e não da mesquinhez que Ângela Merkel quer para a Europa”.
“Desde há muito tempo que a Alemanha tem uma regra: impor sempre a sua palavra”, acrescentou o coordenador da Comissão Política do Bloco de Esquerda, alertando que o aumento da idade de reforma significaria o “degradar da vida das pessoas que trabalharam uma vida inteira”.
Ao aumento da idade da reforma, “o Bloco de Esquerda contrapõe com uma Segurança Social sustentável e uma reforma que está vinculada ao salário de uma vida inteira”, adiantou Louçã.