Merkel anuncia união orçamental da UE

02 de dezembro 2011 - 15:22

Chanceler alemã defende a necessidade de um novo mecanismo europeu para impedir o endividamento dos países da zona do euro e lembra os “enormes benefícios” que a Alemanha retirou da moeda comum.

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Merkel disse que quem defende os eurobonds, como Barroso, não entendem a natureza da crise. Foto PPE/Flickr

A chanceler alemã Angela Merkel anunciou esta sexta, no parlamento alemão, a criação de uma união orçamental da União Europeia.

"Não estamos só a falar de uma união orçamental, estamos prestes a realizá-la", disse, esclarecendo que será necessário estabelecer um novo mecanismo europeu para impedir o endividamento dos países da zona do euro.

A chanceler alemã voltou a rejeitar liminarmente a proposta de criar títulos europeus de dívida pública, os 'eurobonds'. Para ela, só defende esta proposta quem "ainda não entendeu a crise".

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, já defenderam os eurobonds em diversas oportunidades.

Merkel disse ainda que os europeus têm um longo caminho pela frente para recuperar a credibilidade perdida. "Resolver o problema da dívida pública é um processo que levará anos", disse diante dos deputados alemães.

Euro trouxe “enormes benefícios” à Alemanha

A concluir, a chanceler voltou a dizer que o futuro do euro é o futuro da Europa e recordou aos cidadãos alemães os “enormes benefícios” que a Alemanha retirou da moeda comum. “Muito está em jogo, principalmente para os alemães”, disse.

O discurso de Merkel seguiu-se ao do presidente francês, Nicolas Sarkozy, que na noite de quinta afirmou que Alemanha e França devem ser o "coração de estabilidade" da Europa, e defendeu um maior controlo orçamentário, sanções mais severas e rápidas aos países incumpridores e a inscrição nas Constituições dos limites do défice.

Fica claro que Alemanha e França continuam a negociar uma proposta comum para a cimeira dos dois países na próxima segunda, mas ainda não estão claros quais são os contornos da “união orçamentária” europeia e do novo Tratado europeu.