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“Memórias de Servidão” quer recontar o século XX a partir da história do trabalho servil

O site online do Instituto de História Contemporânea, lançado esta segunda-feira, pretende funcionar enquanto plataforma de registo oral, visual e documental da história do trabalho servil doméstico, bem como do trabalho hoteleiro.
The Maids, Paula Rego, 1987 (acrílico sobre papel com fundo de tela 213 × 244cm), via "Memórias de Servidão".
The Maids, Paula Rego, 1987 (acrílico sobre papel com fundo de tela 213 × 244cm), via "Memórias de Servidão".

E se recontássemos a história do século XX a partir da história do trabalho servil? E se compreendêssemos as estruturas da sociedade portuguesa através da perpetuação de relações servis ancoradas no espaço privado e reproduzidas na esfera pública? É com estas questões que a equipa do Instituto de História Contemporânea, coordenada pela socióloga Inês Brasão, apresenta o projeto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.

O site "Memórias de Servidão - Arquivo de História do Trabalho Servil" - pretende funcionar como arquivo e plataforma digital de estudo e divulgação da história da condição servil, doméstica e hoteleira, buscando o registo oral e documental destas formas de trabalho.

“A condição servil tem permanecido numa zona encoberta da memória oficial e da história da sociedade portuguesa. Se a subalternidade servil doméstica foi votada ao silêncio, bem como a história das mulheres que fundamentalmente a viveram, deixou o seu enorme lastro nas formas de dependência social dos indivíduos, reproduzindo trajetórias, formas de desclassificação e desigualdades de género e de classe”, explicam.

O site "foi criado para que o possam visitar, partilhar, ou nele intervir (se assim desejarem deixar a vossa história particular ou familiar) bem como refletir sobre esta área de estudos. Todas as fontes recebidas e partilhadas através do site serão devidamente catalogados e anonimizados, "respeitando escrupulosamente o pacto de confidencialidade que nos une a todos quantos queiram participar", prossegue a apresentação do projeto.

O separador do site “Conte a sua história”, permite a qualquer participante da comunidade a construção da sua narrativa liberta de qualquer guião. “Desejamos profundamente torná-lo um espaço de (e para) todos”, explicam.  

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