Meloni impõe eliminação do direito ao aborto na declaração final do G7

14 de junho 2024 - 15:11

A governante de extrema-direita e anfitriã da cimeira de Bari, no sul de Itália, conseguiu que a referência ao direito ao aborto, presente na declaração da cimeira anterior no Japão, fosse excluída do texto aprovado esta semana.

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Papa Francisco e Giorgia Meloni
Papa Francisco e Giorgia Meloni na sessão do G7 sobre Inteligência Artificial. Imagem da transmissão online.

A declaração conjunta dos líderes do G7 na cimeira deste ano não incluirá a referência à garantia do “acesso ao aborto seguro e legal”, tal como constava nas versões preliminares do documento negociado entre Estados Unidos, Japão, Canadá, Alemanha, França, Itália, Reino Unido e União Europeia.

Segundo a versão final a que o diário espanhol El País teve acesso, aquela formulação acordada no ano passado na cimeira de Hiroshima desaparece e é substituída pela referência à vontade de “promover a saúde e os direitos reprodutivos para todos, e avançar na saúde materna, dos recém-nascidos, crianças e adolescentes”. Noutra passagem da declaração surge uma referência indireta, onde são reiterados “os compromissos do comunicado de Hiroshima com o acesso universal a saúde de qualidade, adequada e acessível para mulheres, incluindo a saúde sexual e reprodutiva”.

Fontes presentes na negociação disseram que as delegações da UE, Canadá e França se opuseram à retirada da menção explícita ao aborto, mas essas pressões foram insuficientes para que Giorgia Meloni abandonasse o que considerou uma “linha vermelha” para garantir a unanimidade da declaração final. As mesmas fontes acrescentam que a vontade de mostrar unidade e evitar expor roturas entre o grupo de países reunidos levou-os a ceder às pretensões da extrema-direita italiana.

Numa cimeira em que a esmagadora maioria dos líderes presentes acabam de sofrer ou preparam-se para sofrer derrotas eleitorais nos seus países, o presidente francês lamentou a retirada da referência ao aborto, reafirmando a posição francesa, onde recentemente o Parlamento aprovou a inscrição do direito ao aborto na Constituição. Na resposta, Meloni criticou Macron por “usar um fórum importante como este para fazer campanha”.