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Médicos Sem Fronteiras exigem partilha da tecnologia da Pfizer-BioNTech

O apelo da organização humanitária surge na sequência da aprovação total da vacina por parte das autoridades de saúde dos EUA. Pelo menos sete fabricantes em países africanos cumprem requisitos para fabrico deste tipo de vacinas.
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Foto Marco Verch/Flickr

A agência de segurança farmacêutica norte-americana FDA deu esta segunda-feira a autorização total para o uso da vacina mRNA para a covid-19 desenvolvida pela alemã BioNTech e comercializada sob a marca da norte-americana Pfizer. Logo após o anúncio, os Médicos Sem Fronteiras (MSF) lançaram o apelo às duas empresas para que partilhem imediatamente a tecnologia e o conhecimento com os fabricantes dos países africanos e ao governo de Joe Biden para que as obrigue a fazê-lo.

“Enquanto as vacinas contra a covid-19 escasseiam e as pessoas continuam a morrer a um ritmo alarmante por toda a África, há mais fabricantes prontos a ajudar a multiplicar a oferta global, mas não o podem fazer porque a Pfizer-BioNTech não quer partilhar a informação e conhecimento necessário ao fabrico de mais doses”, dizem os MSF em comunicado.

A ONG lembra que as empresas receberam financiamento público avultado para acelerar o desenvolvimento das vacinas e são, a par da Moderna, as únicas a fabricar as vacinas com a tecnologia de RNA mensageiro. Elas deveriam partilhar a informação com o centro de transferência tecnológica da Organização Mundial de Saúde sediado na África do Sul, defendem os MSF.

Apenas 1.7% da população africana está completamente vacinada contra a covid-19 e o apoio ao fabrico de vacinas em África iria mudar por completo o panorama atual da vacinação nos países de baixo e médio rendimento, afirmou Carrie Teicher, diretora dos Médicos Sem Fronteiras. Segundo as contas de um estudo do Imperial College para os MSF, o fabrico de 100 milhões de doses em instalações atualmente existentes custaria 127 milhões de dólares para a vacina da Pfizer-BioNTech e 270 milhões de dólares para a da Moderna. Tendo em conta que o investimento público para o desenvolvimento das vacinas mRNA foi de cerca de 2.500 milhões de dólares e que a receita prevista das vendas este ano são de 26 mil milhões para a Pfizer-BioNTech e e 19 mil milhões para a Moderna, “estas empresas têm a obrigação pública de facilitar o aumento da produção e oferta de vacinas onde for possível”, argumentam os Médicos Sem Fronteiras.

Para a gestora da campanha pelo acesso às vacinas dos MSF, Lara Dovifat, há pelo menos sete fabricantes em países africanos que cumprem os requisitos para a produção de vacinas mRNA, caso haja partilha de tecnologia e conhecimento, como já foi feito com fabricantes na Suíça, Espanha e Alemanha. “O único motivo para que estas vacinas não estejam a ser produzidas em maior escala é porque a Pfizer-BioNTech e a Moderna se recusam a partilhar a informação e tecnologia da vacina mRNA com os fabricantes, incluindo os do Egito, Marrocos, África do Sul e Tuníaia, que teriam a capacidade de produzir até 100 milhões de doses por ano num prazo de dez meses”, afirma a responsável da ONG.

Segundo os dados recolhidos pelos MSF, apenas 0.1% das vacinas da Pfizer-BioNTech foram administradas em países de baixo rendimento e 0.9% nos de médio rendimento. A organização apela também aos EUA para que redistribuam as vacinas em excesso ao mecanismo Covax, criado pela Organização Mundial de Saúde para fazer chegar as vacinas além das fronteiras dos países ricos.

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