A MBDA é um consórcio europeu dedicado à produção de armas. É mesmo o maior fabricante de mísseis deste continente. Uma investigação do Guardian, Disclose e Follow the Money descobriu que esta multinacional, através da sua fábrica nos EUA, está a fazer componentes essenciais para bombas utilizadas comprovadamente em ataques aéreos onde são assassinados civis em Gaza.
Em causa está a bomba planadora GBU-39 produzida pela Boeing e a fábrica da MBDA no Alabama que produz as “asas” que permitem que a bomba seja guiada para o seu alvo. Calcula-se que 4.800 destas bombas foram enviadas dos EUA para Israel desde o início do genocídio sionista na Faixa de Gaza.
Os jornalistas revelam que os lucros passam da filial americana para a britânica e finalmente chegam à sede francesa. Depois acabam por ser distribuídos aos três maiores acionistas: a Airbus, a italiana Leonardo e a britânica BAE Systems. Só no ano passado, os dividendos que arrecadaram ultrapassaram os 400 milhões de euros.
A empresa confirmou a existência do contrato, acrescentando apenas que “cumpre todas as leis nacionais e internacionais relevantes aplicáveis ao comércio de armas nos países em que opera”.
A investigação verificou que pelo menos em 24 casos documentados a GBU-39 causou mortes a civis, incluindo muitas crianças. Muitos dos ataques aconteceram durante a noite, sem aviso prévio, e visaram escolas onde se encontravam refugiados. Contam-se 16 destes casos.
O Guardian conta a história de alguns desses ataques como o que vitimou mortalmente 36 pessoas, metade dos quais crianças, às duas da manhã de 26 de maio na escola Fahmi al-Jarjawi na cidade de Gaza. Nesse mesmo dia, no Kuwaiti Peace Camp 1 em Rafah, mais 45 pessoas foram assassinadas pelos ataques sionistas e 249 ficaram feridas.