A concentração convocada pela CGTP junta milhares de pessoas em frente à Assembleia da República, enquanto lá dentro os deputados discutem a proposta do Governo para alterar o Código do Trabalho. O pacote laboral só é votado na sexta-feira, mas nos últimos dias houve uma aproximação de posições entre o Governo e o Chega para viabilizar a proposta na generalidade.
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O coordenador do Bloco de Esquerda falou aos jornalistas na manifestação para sublinhar que “hoje na Assembleia da República clarifica-se quem é que está com os trabalhadores e quem está contra eles”. José Manuel Pureza diz que o dia fica marcado “pelo conto do vigário do Chega” e que “quem está contra uma direita que se coliga com a extrema-direita só pode vir para a rua lutar”.
“O Chega já disse que este pacote laboral é muito mau e já disse que é aceitável. Já propôs a descida da idade da reforma e agora não propõe nada sobre isso. Está a fazer propostas nesta reta final que são as que mais agradam ao Governo. Está claramente a fazer a rábula do conto do vigário para vir a aprovar as alterações ao Código do Trabalho. E assim se vê quem está do lado dos mais frágeis, de quem trabalha, e quem está do lado dos mais ricos, que acumulam lucros”, afirmou o coordenador bloquista.
Para o coordenador do Bloco, “foi sempre a unidade e mobilização de quem trabalha que fez com este assunto fosse sempre incómodo para o Governo, que o fez escolher a extrema-direita como parceiro preferencial”.
José Manuel Pureza lembrou que “este pacote laboral foi derrotado por todos os sindicatos, por todos os trabalhadores” e que para o derrotar é necessário que os trabalhadores “mantenham uma intensa mobilização” e que “todas as pessoas saibam que o que está aqui a ser decidido é essencial para as suas vidas”.
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A aprovação do pacote laboral, prosseguiu Pureza, “vai permitir que uma pessoa fique com uma vida totalmente imprevisível com base num banco de horas individual que o vai obrigar porventura a trabalhar 50 horas por semana. Isto é uma barbaridade!”, exclamou.
Na linha das propostas alternativas que apresentou esta semana para tornar o Código do Trabalho “amigo de quem trabalha”, Pureza afirma que “podemos ter um Código de Trabalho melhor, que não é o que retira direitos às pessoas que trabalham. É aquele que regula os turnos, que universaliza o subsídio de refeição e que não prescinde da compensação por o despedimento ter sido injusto”.