Maternidade Alfredo da Costa tem futuro em perigo

22 de abril 2011 - 13:04

Os médicos especialistas estão a sair para hospitais privados, onde ganham três a quatro vezes mais. Nem todos os que saem são substituídos. Menos clínicos e especialistas são obrigados a trabalhar mais horas para além do limite normal. Ministério não tem tomado medidas.

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Berçário da Maternidade Alfredo da Costa - Foto de Manuel Moura/Lusa

A direcção da Maternidade Alfredo da Costa (MAC) alertou nesta quinta feira, que o futuro da unidade pode estar comprometido. O principal problema reside na saída de especialistas para hospitais público-privados e privados, onde os especialistas ganham três a quatro vezes mais que no público, e na falta de tomada de medidas do ministério.

A directora do serviço de medicina materno-fetal da MAC, Ana Campos, deu o seu próprio exemplo: ganha menos de dois mil euros por mês, enquanto os privados oferecem três a quatro vezes mais, a um especialista como ela. “As ofertas que são feitas a nível do sector privado e dos hospitais público-privados não têm modo de ser acompanhadas na função pública, quer a nível de salário, quer a nível de quantidade de trabalho”, salientou Ana Campos em conferência de imprensa.

Por falta de especialistas, nem todos os médicos que saem são substituídos, criando-se situações de grande carência, nomeadamente no serviço de urgência, e obrigando os médicos a trabalhar mais horas.

A coordenadora do serviço de Urgência, Clara Soares, diz que a maternidade tem reduzido as equipas de urgência desde 2006, por falta de especialistas: “Tínhamos dez equipas e actualmente temos sete, sendo que cada equipa faz um número de horas que é em 40 por cento superior ao que fazia há três, quatro anos”.

Os médicos do serviço de urgências já se recusaram a fazer mais horas extraordinárias, para além das 200 a que são obrigados e que normalmente atingem em Abril ou Maio.

A direcção da MAC há anos que propõe uma solução: a fusão dos serviços de urgência de obstetrícia e ginecologia da MAC com a do Hospital da Estefânia, mas o ministério não tem respondido.

“Parece claro para todos que, no momento actual de contenção orçamental, não é lícito manter abertas em Lisboa, com localização extremamente próxima, duas unidades da mesma área, carenciadas de profissionais e que têm gastos orçamentais para se manterem abertas”, salienta Ana Campos.