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Marisa Matias visita campo de refugiados de Moria e critica resposta europeia

Marisa Matias vai visitar neste fim-de-semana o campo de refugiados de Moria, na ilha de Lesbos (Grécia), que na semana passada foi alvo de incêndios que destruíram na totalidade o espaço onde vivem cerca de 12.000 pessoas. A eurodeputada bloquista exige que “a União Europeia seja solidária com quem nada tem”, de forma a que as “pessoas não sejam abandonadas à morte”.
Foto de Paula Nunes, esquerda.net.
Foto de Paula Nunes, esquerda.net.

A visita decorrerá entre esta quinta-feira e sábado, tendo como objetivo “mostrar a solidariedade àqueles a quem o mundo está a virar as costas”, nas palavras de Marisa Matias. A eurodeputada explica que “em Lesbos mais de dez mil pessoas dormem ao relento, tantas como a população da ilha. Quase mil são crianças. Estão a passar fome e o mundo fecha os olhos.” É por isso que a visita prevê encontros com refugiados e ONGs no terreno.

À agência Lusa, Marisa Matias deixou claro: “Vamos a Moria para furar a barreira física que a violência da extrema-direita está a fazer aos refugiados e a barreira mediática criada pelo governo grego.” A eurodeputada criticou a ausência de solidariedade europeia e lembrou ainda que vários refugiados já foram colocados em barcos “à deriva no Mediterrâneo”, sem que haja informações sobre o seu paradeiro.

O campo de refugiados de Moria é o maior da Europa. Inicialmente, teria condições para receber 3100 pessoas, mas a verdade é que o número de residentes não parou de crescer até aos dias de hoje. Aos problemas de sobrelotação, juntam-se as condições habitacionais precárias e o abandono da União Europeia: de acordo com os relatos de quem está no terreno, a maioria das pessoas vivia em tendas de campismo ou abrigos improvisados. Foi por isso que Marco Sandrone, coordenador dos Médicos Sem Fronteiras em Lesbos, disse à BBC que Moria “é uma bomba-relógio que finalmente explodiu.”

A tragédia humanitária em Lesbos torna-se ainda mais problemática numa altura em que a Comissão Europeia se prepara para apresentar o novo Pacto europeu para as Migrações. As informações que têm circulado apontam para que o principal objetivo da Comissão seja “manter as pessoas nos seus países de origem”. Além de dificultar a entrada de migrantes, a Comissão pretenderá reforçar o Frontex, a agência europeia de controlo de fronteiras e costa marítima. A vice-presidente da Comissão, Margaritis Schinas, disse que pretende “uma nova Guarda Costeira e Fronteiriça Europeia com mais staff, mais barcos, instrumentos e ferramentas” para patrulhar as fronteiras externas da UE.

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