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Marisa Matias e José Gusmão querem excluir combustíveis fósseis dos fundos europeus

Eurodeputados bloquistas assinaram uma carta aberta, em conjunto com outros deputados do Parlamento Europeu, defendendo que a indústria dos combustíveis fósseis deixe de ter acesso a dinheiros públicos, incluindo o Fundo de Recuperação e o Quadro Financeiro Plurianual 2021-2027.
Eurodeputados bloquistas defendem exclusão da indústria dos combustíveis fósseis a fundos europeu - Estação de serviço da Total em Chaville, fonte wikipedia
Eurodeputados bloquistas defendem exclusão da indústria dos combustíveis fósseis a fundos europeu - Estação de serviço da Total em Chaville, fonte wikipedia

Marisa Matias e José Gusmão assinaram uma carta aberta em que se defende que a indústria dos combustíveis fósseis deve ser excluída de qualquer acesso a fundos públicos, tanto no contexto do Fundo de Recuperação, instrumento temporário criado para o combate à crise provocada pela pandemia, como no do próximo Quadro Financeiro Plurianual 2021-2027, o orçamento comunitário.

A carta, assinada por vários deputados do Parlamento Europeu, entre os quais Aurore Lalucq (S&D), Martin Hojsik (Renew), Ernest Urtasun (Greens/EFA) ou Manon Aubry (GUE), defende que os combustíveis fósseis não podem beneficiar de fundos públicos, de modo a que as instituições europeias sejam “consistentes com a ambição climática do Parlamento e cumprir o objetivo da transição justa para a neutralidade climática”.

Os eurodeputados sublinham que o Fundo de Recuperação e o orçamento comunitário serão “decisivos para determinar não só, e se, a União Europeia atinge as metas climáticas em linha com o objetivo de limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC, mas também decidir se recupera de forma sustentável e se essa recuperação e transição é justa”. Neste sentido, as decisões de investimento e os projetos em que os fundos europeus serão aplicados determinarão o rumo da recuperação da UE.

Recorde-se que o Parlamento Europeu emitiu recentemente um apelo no sentido de aumentar a meta de redução de emissões de carbono até 2030 de 40% para 60%. Em discussão na Comissão de Assuntos Económicos e Monetários continua o Fundo de Recuperação e Resiliência, do qual o bloquista José Gusmão é relator-sombra e tem defendido igualmente o fim do financiamento a indústrias como as do petróleo, gás e carvão.

Na carta, os eurodeputados lembram que “investir na recuperação verde promoverá um estímulo à economia e criará empregos”, dando como exemplo a aposta nas energias renováveis e citando um estudo da OCDE que comprova que estas criam mais emprego por cada euro investido do que a indústria dos combustíveis fósseis, podendo criar mais de 40 milhões de empregos até 2050. A União Europeia tem de ser coerente no combate à crise climática, defendem os eurodeputados.

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