Marisa destaca contributo do Bloco e associações para o acolhimento de afegãos em Lisboa

28 de agosto 2021 - 12:11

Num comício em Peso da Régua, a eurodeputada Marisa Matias afirmou que se está a assistir ao desfecho de “20 anos de uma ocupação ilegal”, sublinhando que as populações foram “joguetes nas mãos dos Estados Unidos e da NATO”, que foram abandonadas e precisam do apoio da comunidade internacional.

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Comício do Bloco em Peso da Régua, 27 de agosto de 2021 - Foto de Joni Ledo
Comício do Bloco em Peso da Régua, 27 de agosto de 2021 - Foto de Joni Ledo

O Bloco de Esquerda realizou esta sexta-feira em Peso da Régua um comício de verão onde foram apresentadas as candidaturas autárquicas de Lamego e Peso da Régua, onde o Bloco de Esquerda se candidata pela primeira vez. No encontro intervieram Carolina Leite, candidata à Assembleia Municipal (AM) de Lamego, Vítor Carvalho, candidato à Assembleia de Freguesia de Peso da Régua, Vasco Valente Lopes, candidato à AM, Enara Teixeira, candidata à Câmara, a eurodeputada Marisa Matias e Catarina Martins.

Na sua intervenção, Marisa Matias, destacou a importância da resposta local e, como tal, das autarquias locais e da ação política nesse espaço. A eurodeputada exemplificou com a chegada dos primeiros refugiados e refugiadas afegãos a Portugal, sublinhando a importância de ter na “linha da frente” do acolhimento, “Manuel Grilo, vereador do Bloco de Esquerda [em Lisboa] a trabalhar e a lutar para que estas pessoas pudessem ser acolhidas em Portugal”. E frisou a importância do trabalho de “Manuel Grilo e de todas as associações que em Lisboa trabalham todos os dias, para que estas pessoas possam ter um porto de abrigo”.

20 anos de ocupação ilegal

“Estamos a assistir ao desfecho de 20 anos de uma ocupação ilegal”, afirmou a eudeputada, salientando que “foi uma ocupação da NATO, uma ocupação dos Estados Unidos, uma ocupação que não teve nenhum outro intuito que não fosse a disputa de poder”.

“Ao fim destes 20 anos temos assistido agora a muitas narrativas para justificar o injustificável”, prosseguiu Marisa Matias, sublinhando que a liberdade e a igualdade entre homens e mulheres “nunca foram objetivos da ocupação do Afeganistão”, que “nada teve a ver com a proteção do povo do Afeganistão e muito menos com a promoção da liberdade ou dos direitos das mulheres”. “O objetivo foi sempre o mesmo e único de qualquer ocupação naquele e em qualquer outro território: disputa de poder”, frisou.

Pedro Filipe Soares
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A eurodeputada considerou que se a ocupação tivesse a ver com a liberdade e os direitos das mulheres, “aquela sociedade neste momento estaria muito mais preparada para lidar com a ameaça talibã”. “Não está preparada, porque esse nunca foi o objetivo”, salientou, acrescentando que “as mulheres, infelizmente, foram sempre objeto desta e das anteriores ocupações e foram sempre objeto dos talibã”.

“Ouvimos também dizer que um dos objetivos era o combate ao terrorismo. Não foi”, salientou Marisa Matias, e argumentou: “Tanto não foi que, nos últimos 20 anos, o que assistimos foi à proliferação de movimentos terroristas, como a criação do Daesh. Esta invasão justificou, infelizmente, a criação de muitos mais movimentos que têm atormentado as nossas vidas e não foi também uma promoção de direitos humanos”.

“Sabemos bem que não é possível fazer a promoção dos direitos humanos com armas, como foi feita no Afeganistão nos últimos 20 anos”, reafirmou, acrescentando: “E é por isso que quando olhamos agora para aquilo que são as estratégias da Rússia, do Paquistão, da China, elas não têm nada de diferente e também não vão garantir direitos humanos, nem direitos das mulheres. Não têm nada de diferente do que foram as ocupações anteriores: é disputa de poder e de recursos naturais, é somente isso que está em causa”.

A concluir, a eurodeputada criticou as potências ocupantes, que agora, na retirada, nem sequer cuidam devidamente das pessoas, “que ali vivem”.

“Por isso, temos de ter uma resposta e uma responsabilidade coletiva, não podemos deixar estas pessoas ao abandono, ocupação após ocupação”, voltou a sublinhar Marisa Matias, apontando que é preciso lutar para que “desta vez possa haver e devam haver corredores humanitários, que as pessoas possam sair em segurança”. “Precisamos de corredores humanitários, precisamos de garantir que a história não se repete, como aconteceu em guerras e ocupações anteriores”.

Uma política de hipocrisia permanente com o interior

A coordenadora bloquista encerrou o comício, sublinhando a importância de, pela primeira vez, o Bloco de Esquerda concorrer a Peso da Régua e afirmou:

“Nos últimos anos, temos visto uma política da hipocrisia permanente para com o interior. (…) Nunca houve uma mudança de paradigma em que se dissesse uma coisa tão simples que é que a responsabilidade política nacional e local é garantir o equilíbrio do território, o equilíbrio do investimento do território e o equilíbrio da distribuição da riqueza no território, e é para isso que cá estamos”.